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Logo depois da compra da divisão de PCs da IBM, em 2005, muita gente esperava que a Lenovo, a maior fabricante de computadores da China, fosse adotar uma estratégia agressiva para o mercado varejista. Mas, pelo menos no Brasil, isso não aconteceu.

A empresa só chegou ao varejo em junho, e com presença ainda tímida.

"Fiquei muito animado de visitar uma loja das Casas Bahia e ver nosso produto à venda", disse o executivo-chefe da Lenovo, Yuanqing Yang, em um hotel de São Paulo. "Mas era somente um modelo. Queremos estar presentes no varejo com todo o nosso portfólio." Nesta semana, sete dos principais executivos globais da Lenovo visitam o País. Antes de chegar a São Paulo, eles visitaram o Rio de Janeiro e conheceram o Cristo Redentor e a praia de Copacabana. "Viemos conhecer o mercado e a cultura do Brasil."
Quarta maior fabricante de PCs do mundo, a Lenovo tem planos ambiciosos para o País. A fabricação local é terceirizada para as empresas Flextronics, Quanta e Compal. A capacidade contratada está em cerca de 400 mil a 500 mil unidades por ano. "Queremos dobrar a capacidade de produção em 12 meses, e atingir uma participação de mercado de dois dígitos em dois a três anos", afirmou Rory Read, presidente e diretor de operações da Lenovo. Atualmente, a Lenovo tem menos de 3% do mercado brasileiro.

O objetivo da empresa é crescer no varejo e no mercado de pequenas e médias empresas. A companhia lidera as vendas para governo no País e tem uma boa fatia do mercado de grandes empresas, continuação do trabalho que vinha sendo desenvolvido pela IBM.

No fim do ano passado, a Lenovo tentou comprar a brasileira Positivo Informática, maior fabricante de PCs do Brasil. As empresas não chegaram a um acordo em relação ao preço. A Positivo é forte principalmente no varejo. "Estamos sempre abertos a conversar", disse Yang. "O alvo precisa ser consistente com a nossa estratégia e o preço precisa ser o correto."
Quanto à Positivo, o executivo repetiu que está "sempre aberto" a negociar, acrescentando que tem uma boa relação com a empresa. Rory Read afirmou que adquirir capacidade de produção não é importante para a estratégia da companhia no Brasil, e que é possível atingir as metas com crescimento orgânico.

Ivair Rodrigues, diretor de Estudos de Mercado da consultoria IT Data, considera factível a Lenovo dobrar a produção no Brasil em 12 meses. "O mercado ainda tem muito a crescer", disse o analista. Este ano, as vendas de PCs devem ficar em cerca de 11,7 milhões de unidades, de acordo com o IT Data, estável em relação ao ano passado. O número para o ano que vem ainda não está fechado, mas o crescimento deve ficar em cerca de 15%.

"Em novembro, as vendas foram muito boas", disse Rodrigues. "O quarto trimestre deve ser o melhor trimestre de todos os tempos." Esse potencial tem atraído os fabricantes globais. A Samsung anunciou recentemente sua linha de PCs e a Acer voltou a ter presença local.

"O Brasil é o segundo maior mercado emergente para a Lenovo, depois da China", disse Liu Jun, vice-presidente sênior da Lenovo. "Na Rússia, conseguimos 10% de participação em quatro trimestre." A Lenovo recomprou recentemente sua divisão de celulares. Mas o foco inicial é a China. "Vamos ganhar escala no mercado chinês, antes de lançarmos esse tipo de produto em outros países." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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