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O governo brasileiro teve uma surpresa positiva com o resultado do primeiro leilão dedicado exclusivamente à energia eólica, realizado nesta segunda-feira. O preço ficou, em média, 21,5% inferior ao teto estabelecido, com empreendimentos representando uma capacidade instalada de 1.805,7 megawatts, quase um terço dos projetos que depositaram as garantias necessárias para participar da licitação.

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"Considero um sucesso o leilão pela quantidade e preço médio que tivemos... A fonte [eólica] tem uma excelente oportunidade no Brasil. O Brasil tem vocação de trabalhar com fontes renováveis", disse a jornalistas o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

Projetos em cinco Estados, quatro na região Nordeste e um no Sul do país, foram contratados, com 71 usinas vencedoras. O leilão, promovido via Internet pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) teve início às 10h30, meia hora mais tarde que o inicialmente programado, e terminou por volta das 18h30.

O preço médio do megawatt foi de R$ 148,39, ante valor máximo previsto de R$ 189. Da energia contratada a partir de julho de 2012, o menor valor pago foi de R$ 131, um deságio de 30,7%, e o maior ficou em R$ 153,07, ou 19% inferior ao teto. Os contratos terão duração de 20 anos, com receita combinada para os empreendimentos licitados estimada em  R$ 19,6 bilhões.

"Tínhamos expectativa que viesse abaixo (dos R$ 189 o megawatt). Mas o valor médio de cerca de R$ 148 foi uma grata surpresa", afirmou o secretário-executivo do ministério. "Nós achávamos que o preço ficaria abaixo de R$ 180 o megawatt, mas não tão abaixo", emendou o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) habilitou tecnicamente 339 projetos para o leilão de energia de reserva, com capacidade instalada de 10 mil megawatts, o que representa uma vez e meia o potencial do Complexo do Rio Madeira, com as usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia. Do total habilitado, empreendimentos totalizando cerca de 6 mil megawatts depositaram as garantias necessárias para participar da licitação.

Atualmente, o Brasil possui cerca de 600 megawatts de capacidade de geração de energia a partir do vento. Com o leilão desta segunda-feira, o volume será multiplicado por quatro.  Os representantes do governo não souberam informar qual foi a participação de estatais no leilão, mas Zimmermann disse "que aparentemente foi muito pequena." A Petrobras foi mencionada como integrante de um dos consórcios vencedores.

Do total licitado, 390 megawatts são em projetos na Bahia, 542,7 megawatts no Ceará, 657 megawatts no Rio Grande do Norte, 30 megawatts em Sergipe e 186 megawatts no Rio Grande do Sul.

Segundo Zimmermann, o resultado do leilão mostra que é possível viabilizar investimentos em energia eólica no Brasil a preços competitivos, algo que não se imaginava alguns anos atrás. Ele acredita que o aumento da escala continuará a otimizar os custos de usinas de geração de energia eólica. Ao todo, foram contratados 753 lotes no leilão de energia eólica, que representam 783 megawatts médios de energia física.

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