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Ao aceitar um cargo no conselho de ética da gigante Thomson Reuters, recebendo quase US$ 25 mil por ano, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, se tornou alvo de duras críticas de embaixadores de várias partes do mundo. A assessoria de imprensa da OMC rejeitou a tese de conflito de interesses e indicou que o dinheiro recebido vai para um fundo de caridade.

A maior empresa do setor de informações financeiras anunciou o novo membro em comunicado de imprensa. Mas a OMC não informou aos governos sobre a posição que ocuparia Lamy. O mistério irritou autoridades que desde ontem passaram a pedir explicações.

O conselho é formado por "sábios" que avaliam os princípios éticos da empresa e garantem a "integridade e independência" da companhia. Um dos poderes do conselho é o de bloquear qualquer medida de um acionista que ameace esses princípios.

Elizabeth Maclean, assessora de imprensa da Thomson Reuters, confirmou ao Estado que Lamy receberá o dinheiro por dois anos. "Ele será tratado como qualquer outro membro." O trabalho se limita a poucos dias de encontros por ano.

Pehr Gyllenhammar, presidente do conselho da companhia, não economizou elogios ao francês, que já foi banqueiro e atuou como comissário de Comércio da Europa. "Lamy tratará uma riqueza de experiência global incalculável para nosso conselho." Lamy, que está na Coreia para promover a Rodada Doha, afirmou que "espera ajudar".

Para a OMC, Lamy não ocupará um posto de direção e servirá apenas como um consultor. Outra alegação é que membros da Corte de Direitos Humanos da Europa também fazem parte do grupo.

Mas, para muitos, não há como um funcionário internacional ocupar um segundo cargo em uma empresa privada, nem mesmo a título de consultor. Isso porque a OMC serve como tribunal para o comércio mundial. Ontem, o presidente do conselho-geral da OMC, Mario Matus, ouviu queixas de governos de todo o mundo, que queriam saber em que condição Lamy aceitou o novo trabalho.

Negociadores revelaram que essa era a primeira vez que um diretor de uma organização internacional passa a integrar o conselho de uma empresa privada. "O diretor da OMC precisa estar acima de qualquer suspeita", disse um negociador, que pediu anonimato. Um dos mais surpresos foi o embaixador da China na OMC, Sun Zhenyu. "Acredito que existe um conflito de interesse."
A Thomson Reuters esteve envolvida em uma disputa na OMC. Canadá, Estados Unidos e a União Europeia abriram queixa contra as restrições da China em relação aos serviços de informação do setor financeiro. O caso foi encerrado em 2008, quando Pequim decidiu rever suas barreiras.

Essa é a segunda polêmica envolvendo Lamy em menos de um ano. Em plena crise, ele pediu aumento de salário de 32%.

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