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Uma operação da Polícia Civil fechou um centro de distribuição de carnes que abastecia prefeituras, hospitais, penitenciárias e supermercados com peças de carnes e produtos frigoríficos estragados. O suposto esquema usava quatro empresas frigoríficas para participar de licitações vencidas por meio do menor preço.

A suspeita é de que, para honrar os contratos, as empresas investigadas pegavam produtos com data de validade vencida, trocavam as embalagens e então os entregavam aos órgãos públicos e supermercados.

"As prefeituras são vítimas da fraude", afirmou o delegado Anderson Pires Gianpaoli, da 2ª Delegacia de Crimes Contra a Saúde Pública, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). Entre os órgãos públicos que receberiam produtos do esquema estavam o Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, a prefeitura de Guarulhos, de Santo André, de Diadema e de Embu-Guaçu, todas na Grande São Paulo.

Em uma primeira análise feita pela polícia nos fichários das empresas, pelo menos 20 prefeituras do Estado de São Paulo (16) e de Minas Gerais (4) teriam recebido mercadoria do grupo, além das Secretarias da Segurança Pública de Mato Grosso do Sul e de Administração Penitenciária de São Paulo. Notas fiscais das empresas mostram vendas para 11 penitenciárias paulistas, entre elas a Feminina de SantAnna, na capital, e as Penitenciárias 1 de Potim, de Presidente Prudente e de Iperó.

Ao todo, 30 toneladas de carnes suína e bovina, de aves, peixes, salsichas e linguiças foram apreendidas no centro de distribuição que funcionava na Rua João Graeber, na Vila Ema, na zona leste de São Paulo. "Em dia de sol quente, a gente sentia o mau cheiro", afirmou a dona de casa Márcia Tomai, de 35 anos. O lugar contava com quatro câmaras frigoríficas, todas abarrotadas de produtos, onde se misturavam mercadorias com prazo de validade vencido a outros ainda próprios ao consumo - cerca de 70% do que havia ali estaria estragado.

Nos fundos, em tambor, havia dezenas de pernis mergulhados em solução líquida. A carne apodrecida era deixada ali antes de ser reembalada. Perto do local, os policiais acharam o que consideravam a prova do crime. Etiquetas dos pernis com validade vencida em abril eram trocadas por outras com prazo de março de 2010. As empresas investigadas são a JP Gouveia Santos, o Frigorífico Gouveia Santos, a GS Comércio de Alimentos e a Celene Rodrigues.

A gerente do centro de distribuição, Sandra Suguiura Cardoso, de 52 anos, foi presa em flagrante sob as acusações de crimes contra o consumidor e contra a saúde pública, além de falsificação de documentos (o selo da inspeção do Ministério da Agricultura). O dono do lugar, o empresário Eduardo Antônio Gouveia dos Santos, participava ontem de uma licitação em Minas e escapou do flagrante.

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