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SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros registram o terceiro pregão seguido de baixa na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F). A queda nos prêmios de risco segue a divulgação da produção industrial de fevereiro, que surpreendeu para baixo.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que a produção industrial subiu 1,8% na comparação com janeiro, mas registrou queda de 17% sobre fevereiro do ano passado. No acumulado em 12 meses, a produção diminuiu 1%, primeiro resultado negativo desde setembro de 2002.

Tais dados reforçam a expectativa de novos cortes na taxa Selic, o que é refletido nos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI). O vencimento para janeiro de 2010, referência do mercado, registrava baixa de 0,03 ponto, a 9,63%. O contrato para janeiro 2011 recuava 0,04 ponto, marcando 10,24%. E janeiro 2012 apontava 10,71%, perda de 0,01 ponto.

Já na ponta curta, o DI para maio de 2009 tinha alta de 0,01 ponto, para 11,08%. Junho de 2009 também subia 0,01 ponto, projetando 10,50%. Mas julho de 2009 perdia 0,03 ponto, a 10,18%.

Segundo o economista-chefe da Corretora Liquidez, Marcelo Voss, os dados da indústria foram péssimos e já justificariam uma redução de juros extraordinária. " Estamos em um ajuste de crise. O Banco Central deveria antecipar a reunião dos dias 28 e 29 de abril " , resume.

Ainda de acordo com Voss, o espaço para um corte de juro fora da data pré-fixada também tem respaldo no Relatório Trimestral de Inflação, que foi apresentado na segunda-feira e mostrou que o próprio BC estima inflação abaixo do centro da meta tanto em 2009 quanto em 2010. "Caberia uma reunião extraordinária. Todos os países estão fazendo isso."
Sobre o comportamento da curva futura, Voss acredita que o recuo nos prêmios de risco não é mais acentuado em função do próprio histórico conservador do Comitê de Política Monetária (Copom), o que deixa os investidores reticentes em montar posições vendidas de forma mais agressiva.

Pelo lado da inflação, os agentes receberam o de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), que registrou alta de 0,61% na quarta semana de março, resultado superior ao 0,46% verificado na terceira medição do mês.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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