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Declarações de autoridades e ações, como aumento do IOF, demonstram para investidores que juro pode ter corte agressivo

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Os participantes do mercado de juros futuros encerram a semana com apostas mais encorpadas para um corte agressivo, de 0,75 ponto porcentual, da Selic na reunião do Copom nos dias 6 e 7, ante o nível corrente de 10,50%. Esse movimento tem por base uma carga intensa de declarações de autoridades e também demonstrações, como é interpretado o caso do IOF. Na esteira de devolução de prêmios dos DIs, alguns economistas também revisaram suas projeções para um corte do juro básico de maior magnitude.

A percepção dos investidores para citar possibilidade de um corte de mais intenso da Selic foi ganhando força a cada dia nesta semana, começando a ser delineada pelas declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na terça-feira, sobre juro neutro e crescimento da economia abaixo do PIB potencial, e deslanchando com a ampliação para três anos da alíquota do IOF de 6% cobrada sobre os empréstimos externos. Somaram-se a isso as afirmações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da presidente Dilma Rousseff sobre o excesso de liquidez global. Ao longo da semana, também contribuiu para o recuo das taxas futuras de juros o debate em torno da mudança na remuneração da poupança e o superávit primário recorde em janeiro.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (393.160 contratos) estava em 9,03%, ante 9,15% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (374.735 contratos) marcava 9,59%, de 9,68% na véspera. O DI janeiro de 2017, com giro de 46.180 contratos, apontava 10,76%, de 10,83% ontem, e o DI janeiro de 2021 (1.785 contratos) indicava máxima de 11,24%, de 11,26%.

A aceleração da queda dos DIs continua sendo conduzida pela percepção de que as autoridades brasileiras permanecem determinadas a resistir a maior apreciação do real. À tarde, mantinha-se o aumento ocorrido no período da manhã (de 20% para 40%) da chance de um corte de 0,75 pp na próxima semana.

Mais um passo do BC reforça esta ideia hoje, aponta um analista, que cita a circular divulgada pelo Banco Central, na noite de ontem, mudando o funcionamento das operações de uma das operações de financiamento às exportações, o chamado Pagamento Antecipado (PA). A alteração tem por objetivo impedir excesso no fluxo de capitais estrangeiros para o Brasil.

A Nomura Securities revisou sua expectativa para a política monetária, citando que espera agora dois cortes de 0,75 ponto porcentual nas reuniões de março e abril e uma última queda de 0,50 ponto no encontro de maio. Anteriormente, a instituição previa reduções de 0,50 ponto em cada um dos próximos encontros do Comitê até julho. A Icap Brasil revisou a previsão para queda de 1 ponto porcentual, de 0,50 pp antes.

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