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Discussão sobre dívida americana mostrou que Estados Unidos serão obrigados a fazer um ajuste nas suas contas

Pelo segundo pregão seguido os contratos de juros futuros de longo prazo caem de forma acentuada na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Cabe ressaltar, no entanto, que tal movimento é global. Ao que parece, está ocorrendo um realinhamento de posições para um mundo de baixo crescimento e, consequentemente, baixas taxas de juros por um período prolongado.

Segundo o vice-presidente de tesouraria do Banco WestLB, Ures Folchini, toda essa discussão sobre o endividamento americano jogou luz sobre o fato de que os Estados Unidos serão obrigados a fazer um ajuste nas suas contas. E isso vai limitar as chances de retomada de crescimento da atividade no curto prazo (e entenda-se curto prazo como alguns anos). O problema, segundo Folchini, é que este ajuste terá quer ser feito em uma economia que já está bastante fragilizada.

Essa mesma necessidade de ajuste limita o raio de ação do governo americano para tentar estimular a atividade. Como o lado fiscal está fora do baralho, sobra o Federal Reserve (Fed), banco central americano, com a emissão de mais dinheiro ainda, embora a efetividade de tal estratégia seja questionável. Soma-se ao fator americano, a crise na Europa, onde a necessidade de se equalizar dívida também representa uma barreira ao crescimento.

Segundo Folchini, esse quadro que se desenha reforça a percepção de que o Banco Central (BC) já encerrou o ciclo de alta da Selic, com taxa a 12,50% ao ano. O tesoureiro ressalta, no entanto, que a economia brasileira não está no mesmo compasso da economia mundial.

Por aqui, ainda vai levar algum tempo para vermos dados firmes de desaceleração bem como de inflação mais baixa. Com isso, ficamos num ambiente de "risco controlado", com o BC olhando as pressões de curto prazo, mas ciente que está se formando um quadro de menor crescimento. Dessa forma, uma ação de política monetária agora poderia precipitar a formação desse quadro, bem como deixá-lo mais grave quando ele se materializar.

De volta ao mercado externo, a taxa de retorno do título americano de 10 anos cai a 2,62%, menor leitura desde meados de novembro do ano passado. O papel de 30 anos também tem firme baixa, apontando 3,92%. Desde o começo de novembro do ano passado a linha de 4% era respeitada. Por aqui, alguns vencimentos de prazo mais dilatado voltam a taxas não vistas em mais de um mês.

Antes do ajuste final de posições na BM&F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em setembro de 2011 apontava estabilidade 12,40%. Outubro de 2011 apontava 12,42%, sem alteração. E janeiro de 2012, o mais líquido do dia, projetava 12,43%, queda de 0,01 ponto.

Entre os contratos mais longos, janeiro de 2013 apontava baixa de 0,10 ponto, a 12,52%. Janeiro de 2014 registrava queda de 0,13 ponto, a 12,54%. Janeiro de 2015 tinha desvalorização de 0,14 ponto, a 12,53%. Janeiro de 2016 caía 0,15 ponto, a 12,48%. E janeiro de 2017 projetava 12,40%, baixa de 0,18 ponto.

Até as 16h10, foram negociados 1.292.662 contratos, equivalentes a R$ 109,67 bilhões (US$ 70,05 bilhões), o dobro do registrado no pregão anterior O vencimento janeiro de 2012 foi o mais negociado, com 378.510 contratos, equivalentes a R$ 36,04 bilhões (US$ 23,02 bilhões).

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