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Elevação de taxas básicas para evitar inflação de ativos é "inclinar-se contra o vento", diz relatório do Fundo

A diretoria executiva do Fundo Monetário Internacional (FMI) manifestou apoio apenas condicional à ideia de bancos centrais elevarem as taxas de juros para esvaziar bolhas de ativos. Para a diretoria do FMI, "inclinar-se contra o vento" de desequilíbrios financeiros é algo que tem um escopo limitado. O comentário consta de resumo da reunião do dia 18 de junho, divulgado hoje.

Os integrantes da diretoria destacaram que combater a inflação precisa continuar a ser o objetivo principal da política monetária. Eles endossaram o pedido de um relatório do pessoal técnico do FMI para que os bancos centrais adotem uma postura mais generalista contra riscos sistêmicos, com ferramentas macroprudenciais, como exigências de elevação dos níveis de capital e liquidez servindo como a primeira linha de defesa.

A crise financeira reviveu o debate sobre se as taxas de juros podem - ou devem - ser usadas para evitar o surgimento de problemas como a bolha nos preços dos imóveis residenciais nos EUA. A linha de pensamento convencional, no começo da década, era a de que elevar as taxas de juros não seria eficaz para conter acelerações de preços de ativos e poderia contradizer o objetivo de manter a estabilidade geral nos preços.

A principal voz do FMI para questões de política monetária, José Viñals, tem defendido nos últimos meses a ideia de que as taxas de juro poderiam ser usadas de uma forma contracíclica, para reduzir ameaças de instabilidade. "É claro que isso não pode ser forçado demais. Tudo precisa ser condizente com a estabilidade dos preços", afirmou.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Ben Bernanke, também tem se mostrado mais aberto à ideia que, no começo da década, ele descartava. Em janeiro, ele disse que a política monetária poderia ser usada como uma ferramenta complementar, se as reformas regulatórias se mostrassem insuficientes para evitar bolhas.

"Instrumento rude"

O Banco para Compensações Internacionais (BIS), conhecido como "o banco central dos bancos centrais", disse no mês passado que a política monetária poderia "se voltar mais" contra as bolhas, possivelmente ao alongar o horizonte da política. A equipe técnica do FMI recomendou cautela ao usar "o instrumento muito rude" das taxas de juros para lidar com desequilíbrios e afirmou que isso poderia criar um conflito, ao tornar a inflação mais volátil. "Ao invés de tentar reduzir os desequilíbrios usando a política de juros, pode ser preferível em muitos casos que o banco central intensifique a comunicação e emita avisos de risco, que precisam ter o apoio da 'ameaça' de ações macroprudenciais", registrou o relatório.

Houve ainda na reunião de junho um amplo consenso entre os integrantes da diretoria do FMI sobre o aspecto principal do relatório: que os bancos centrais devem intensificar os esforços para monitorar e avaliar riscos sistêmicos. Com reformas já em andamento nos EUA e na Europa, a diretoria disse que a colaboração internacional é necessária para ajudar a desenvolver ferramentas analíticas e acabar com as lacunas nos dados. Bancos centrais importantes, como o Fed e o Banco Central Europeu (BCE), já começaram a reforçar a monitoração das condições financeiras.

O FMI disse que os bancos centrais devem ajudar a garantir que as ferramentas macroprudenciais sejam desenvolvidas e bem aplicadas, independentemente do fato de eles serem ou não diretamente responsáveis por elas. Embora elogiando os bancos centrais pelas medidas para conter a crise, o relatório disse que o trabalho de definir estruturas para a estabilidade financeira e a provisão de liquidez permanece incompleto. As informações são da Dow Jones.

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