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O Banco do Brasil foi a instituição que mais elevou a taxa de juros do empréstimo pessoal para pessoa física neste ano. Segundo dados da pesquisa mensal da Fundação Procon-SP com as dez maiores instituições financeiras do País, a taxa do banco subiu de 4,5% ao mês em janeiro para 6,5%, em novembro - alta de dois pontos porcentuais.

Essa linha de crédito não foi contemplada no pacote de redução de juros anunciado ontem pela instituição.

Uma das explicações é que, apesar da maior alta no ano, a taxa cobrada pelo BB não é a maior entre as instituições pesquisadas pelo Procon-SP. Nesse quesito, o campeão é o Banco Real, com juros de 7,95%, seguido por Itaú (7,92%) e Unibanco (6,59%). O BB tem a quarta maior taxa, com os 6,5%.

Até janeiro deste ano, no entanto, o BB tinha a segunda menor taxa entre as dez instituições, perdendo apenas para a Caixa Econômica Federal, a única a manter o juro inalterado no período, em 4,49%.

Ao contrário do empréstimo pessoal, o cheque especial foi contemplado no pacote de redução do BB. Segundo o banco, os juros máximos cobrados nessa modalidade de crédito serão reduzidos de 8,58% ao mês para 8,29% para clientes que recebem salários e rendimentos pelo BB. Com a redução, o banco passa a ter a segunda menor taxa entre as dez instituições pesquisadas pelo Procon-SP. A exemplo do empréstimo pessoal, a Caixa também tem o menor juro do cheque especial cobrado no mercado, de 7,98%.

No caso do cheque especial, a maior taxa de juros verificada em novembro foi a do Safra, de 12,3% ao mês. O banco também foi o que mais elevou os juros neste ano, em 3,01 pontos porcentuais. O segundo foi o Real, com alta de 1,45 ponto, seguido por Santander, 1,32 ponto, e BB, 1,06 ponto.

O professor da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) Marcos Crivelaro avalia que a iniciativa do BB é bastante positiva, mas não deve ter força para reduzir as taxas nos demais bancos. Ele pondera, entretanto, que, em algumas praças onde há maior concorrência entre bancos, pode haver uma pequena redução.

No mercado em geral, ele acredita as instituições financeiras vão manter as taxas no nível atual. Mas esse seria um movimento natural com base no cenário de desaquecimento da economia. Na avaliação dele, é possível que o Banco Central (BC), em algum momento, possa reduzir as taxas. "Num cenário onde os preços vão se estabilizar ou até cair, não faz sentido dificultar o financiamento via taxa de juros."

Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que prefere não se pronunciar sobre as políticas de negócios de seus associados. Mas há algum tempo o presidente da Febraban, Fabio Barbosa, já vem destacando que o custo do crédito para consumidores e empresas ficará mais caro comparado ao período anterior à crise financeira, agravada em setembro com a quebra do banco americano Lehman Brothers.

O motivo está no aumento da volatilidade, do custo de captação e do risco. Como o cenário ainda está bastante incerto, os bancos temem que o índice de inadimplência aumente de forma expressiva no País.

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