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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, disse hoje que o governo não estuda prorrogar a redução dos juros nas operações de crédito do Finame (linha específica para aquisição de máquinas e equipamentos), hoje em 4,5% ao ano. Não há nenhuma decisão a respeito.

É uma das reivindicações que recebemos do setor industrial, mas no momento o que posso dizer é que essa iniciativa deve ser concluída em 31 de dezembro", afirmou durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O Finame é um programa de financiamento voltado para aquisição de máquinas e equipamentos para a indústria, agricultura e construção. Antes de ser incluído no Programa de Sustentação do Investimento (PSI), os juros da linha eram de 10,5% ao ano. Reportagem de hoje do jornal O Estado de S.Paulo informa que há uma corrida por crédito do Finame, o que obrigou o BNDES a montar um plano de contingência com equipes extras que estão aprovando 1.500 operações de crédito da linha por dia.

Produção industrial

Coutinho disse que os dados da pesquisa sobre a produção industrial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram uma recuperação consistente da indústria e especialmente do setor de bens de capital, um dos mais prejudicados pela crise. De acordo com o IBGE, a indústria cresceu 2,2% em outubro, ante setembro, puxada pela produção de bens de capital, que subiu 5,9%. Coutinho prevê que esse segmento apresentará resultados ainda melhores à frente. "Acredito que em novembro teremos um crescimento mais forte", afirmou a um grupo de empresários na Fiesp.

"Esses indicadores mostraram que estamos sendo bem-sucedidos em reverter a queda na formação de capital", afirmou, referindo-se aos dados gerais da pesquisa do IBGE divulgada hoje. Na avaliação do presidente do BNDES, o Brasil ultrapassou o momento mais grave da crise e agora está no início da retomada do ciclo de expansão da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Ele alertou, contudo, que, como ainda está no estágio inicial de retomada, o nível de investimento precisa ser fortalecido e acelerado. Para isso, o BNDES está dialogando com entidades como a Fiesp, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Iedi para recolher sugestões, disse.

Exportadores e derivativos

O presidente do BNDES afirmou que foram superados os problemas financeiros enfrentados pelas empresas exportadoras durante a chamada crise dos derivativos. "Felizmente, a deterioração das empresas exportadoras é página virada", disse. Durante a crise, no final do ano passado, grandes empresas exportadoras sofreram prejuízos na casa dos bilhões de dólares por conta de seus contratos de derivativos cambiais.

Para Coutinho, o setor privado brasileiro mostrou ser forte ao superar os problemas do auge da crise no final do ano passado, sem danos em sua estrutura. "O setor empresarial continua saudável e capaz de acompanhar o ciclo de crescimento". Ele ressalvou, contudo, que no longo prazo será necessário fortalecer a estrutura de capital das empresas e que o setor privado conte com outras fontes de financiamento que não o BNDES e os bancos públicos. "É necessário capitalizar as empresas e o mercado de capitais pode ser um canal importante. A internacionalização de companhias também é uma agenda que deve ser realizada paralelamente", afirmou.

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