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Steve Jobs, cofundador e presidente executivo da Apple, vai se afastar da empresa até o final de junho para cuidar da saúde. O anúncio vem apenas uma semana depois de o executivo ter afirmado que a razão da extrema magreza que vem apresentando nos últimos tempos era resultado de um desequilíbrio hormonal, um problema que seria de fácil solução.

Em uma carta divulgada na semana passada, Jobs havia dito que, apesar do problema, se manteria à frente da empresa. Ontem, porém, em uma mensagem enviada aos empregados da empresa, ele voltou atrás. "Durante a última semana descobri que os problemas relacionados à minha saúde são mais complexos do que havia imaginado", disse.

Na ausência de Jobs, o diretor de operações da Apple, Tim Cook, será o principal executivo da empresa. Mas o mercado financeiro não digeriu muito bem a informação, e as ações da Apple chegaram a cair 9% nas operações realizadas após o fechamento das bolsas americanas.

Jobs anunciou em 2004 que havia se submetido, com sucesso, a uma cirurgia para a retirada de um câncer no pâncreas. Mas as especulações sobre o estado de saúde do executivo ressurgiram com força no ano passado, quando ele apareceu em um evento da empresa muito mais magro do que o habitual.

Jobs é a peça chave por detrás do êxito dos produtos da Apple, incluindo os computadores Macintosh, os tocadores de música digital iPod e o iPhone. "Isso é algo de que não precisamos nesse momento. Essa notícia da Apple dá aos investidores uma nova angústia a ser digerida", disse Tom Sowanick, presidente de investimentos da Clearwater Financial. "É verdade que os mercados já vêm acumulando um risco a respeito da saúde de Steve Jobs, mas as ações da Apple ainda vão sofrer muito com essa notícia."

Para muitos, Jobs é considerado como líder insubstituível na Apple. Ao lado de Steve Wozniak, ele fundou a empresa em 1976. Porém, em 1985, o conselho de administração da companhia, que tinha se tornado uma gigante, forçou-o a deixar a direção. Voltou em 1997, em um momento em que a empresa estava em uma situação muito frágil, e salvou-a da falência.

Os problemas com a saúde do executivo complicam ainda mais o que já se esperava que seria um ano difícil para a Apple - assim como para toda a indústria eletroeletrônica -, uma vez que a crise global vem fazendo com que caiam os gastos dos consumidores.

Alguns analistas temem que, sem um grande produto para lançar, como o iPhone 3G, no ano passado, a Apple não tenha um grande catalisador de vendas e seus resultados caiam. Uma amostra disso já foi dada na conferência MacWorld, na semana passada. Sem a presença de Steve Jobs, o máximo que a empresa apresentou foram atualizações de softwares já existentes e a eliminação da proteção contra cópias vendidas pela empresa via internet. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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