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O governo do Japão deu sinais ontem de um acordo para um novo pacote de estímulo que pode totalizar US$ 30 bilhões. O crescimento econômico tende a desacelerar no ano que vem devido ao fraco gasto do consumidor e a maiores estoques.

Economistas duvidam que a quantia seja suficiente para impulsionar significativamente a economia, já que o governo deve usar no pacote o dinheiro cortado de um orçamento da administração anterior. Além disso, a elevada dívida nacional japonesa significa que o governo não terá como gastar demais.

O porta-voz do governo, Hirofumi Hirano, disse que os ministros vão discutir a política fiscal amanhã, mas que não significa um orçamento maior. O ministro das Finanças, Hirohisa Fujii, disse que um orçamento maior não excederia 2,7 trilhões de ienes. "O estímulo viria do que cortaram de outros lugares, portanto. o efeito na economia seria quase neutro", disse Satoru Ogasawara, economista da Credit Suisse em Tóquio.

O crescimento de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão no terceiro trimestre foi muito maior que a mediana das estimativas de 0,7% e foi o maior ganho desde o primeiro trimestre de 2007. Ele se compara a uma expansão de 0,7 % no segundo trimestre deste ano, que foi o primeiro crescimento em cinco trimestres.

Mas uma pesquisa da Reuters mostra que o PIB do Japão deve crescer apenas 0,1% no primeiro trimestre de 2010 com a retirada dos pacotes de estímulo. O ministro do Comércio, Masayuki Naoshima, provocou uma dor de cabeça para o governo ao vazar os dados do PIB antes do tempo.

O consumo privado aumentou 0,7%, melhor que o previsto de 0,5%, mas pior que o aumento de 1% no trimestre anterior. A demanda doméstica foi responsável por 0,8 ponto porcentual de crescimento para o PIB, a primeira contribuição positiva em seis trimestres.

MAIOR GASTO DE CAPITAL
Subsídios e cortes de impostos promovidos pelo governo anterior ajudaram o consumo privado, mas o ritmo do aumento foi mais lento que o trimestre anterior e a queda esperada nos bônus de fim de ano e um mercado de trabalho tranquilo significam que as pessoas vão ter menos para gastar.

"O único ponto positivo é que o gasto de capital se tornou positivo", disse Kyohei Morita, economista-chefe da Barclays Capital em Tóquio. Os gastos de capital subiram 1,6 %, a primeira alta em seis trimestres e maior que o crescimento de 0,1% previsto. Os estoques começaram a crescer, contribuindo 0,4 ponto porcentual para o crescimento do terceiro trimestre, a primeira contribuição positiva desde o quarto trimestre deste ano.

"As empresas têm aumentado a produção por um ano agora, e os estoques devem começar a acumular-se em direção ao final do ano e por volta do ano novo chinês", disse Yasuo Yamamoto, economista-sênior da Mizuho Research Institute em Tóquio."Isso pode levar a uma desaceleração na produção japonesa e no crescimento japonês no período entre abril e junho de 2010."
A maioria dos economistas diz que são pequenas as chances de que a economia do Japão, que manteve sua recuperação pelo segundo trimestre, volte a uma recessão, uma vez que pacotes de estímulo de outros países devem apoiar a demanda por exportação.

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