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Jairo Mejía. Tóquio, 27 fev (EFE).- Com uma nova queda recorde da produção industrial, uma demanda interna cada vez mais fraca e preços estagnados, a economia japonesa confirmou seu preocupante ciclo de recessão com novos dados divulgados hoje.

O Governo japonês informou hoje que, em janeiro, a produção industrial caiu 10% - um recorde -, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) se manteve invariável pela primeira vez em 16 meses, o desemprego ficou em 4,1% e a despesa das famílias diminuiu 5,9%.

A temida deflação parece muito perto de chegar à economia japonesa, o que, junto com o baixo consumo das famílias, está aumentando a pressão sobre as empresas.

Excluindo os preços da energia, a cesta básica e alimentos frescos, o núcleo do IPC de janeiro fica em -0,2%.

A estagnação brusca dos preços vem junto com a queda de 5,9% do consumo das famílias no mês passado, a 11ª redução consecutiva em taxa anualizada.

As famílias japonesas gastaram em janeiro uma média de 291.440 ienes (US$ 2.955) e viram sua renda subir apenas 1% a respeito de janeiro de 2008.

O baixo consumo interno, que representa 55% do Produto Interno Bruto (PIB) japonês, e uma espiral deflacionária poderiam piorar ainda mais a economia japonesa, que está em apuros desde que a crise desestimulou os compradores estrangeiros.

As companhias japonesas, altamente orientadas aos mercados externos, registraram quedas das exportações a níveis históricos, o que, junto com uma fraca demanda interna, empurrou o PIB a despencar a um ritmo não visto há 35 anos.

O conjunto de fatores fez com que a produção industrial desabasse 10% no primeiro mês do ano a respeito do mês anterior, a primeira vez na história que se movimenta a ritmo negativo de dois números.

Para o primeiro trimestre do ano, os fabricantes japoneses esperam que a produção industrial caia um recorde de 22,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O preocupante, segundo o Governo, é que agora todos os setores reduziram a produção e mesmo os não orientados à exportação começaram a se unir ao grupo liderado pelos fabricantes de automóveis e de eletrônica.

Os fabricantes japoneses estão começando a liberar seus excedentes de estoque pela primeira vez em cinco meses, e isso faz prever que os cortes de produção durarão mais tempo.

Além disso, o índice de exportações da indústria caiu 11,4% em janeiro frente a dezembro do ano passado, colocando o volume total da indústria japonesa aos níveis existentes em 1987.

A forte freada da indústria levou as empresas japonesas e, especialmente, as multinacionais a anunciar demissões em massa e reduzir salários, fechando o círculo de menor consumo e queda dos preços.

Também foi divulgado hoje que o número de trabalhos disponíveis caiu para 67 para cada 100 pessoas em busca de emprego, o nível mais baixo desde setembro de 2003.

O número de pessoas que procuram emprego está aumentando, enquanto as ofertas caem, principalmente devido às demissões e à maior incidência de vagas temporárias no mercado de trabalho - situado em janeiro no nível recorde de 34,6%.

No entanto, o desemprego em janeiro caiu 0,2%, para 4,1%, mas isso está vinculado ao número de trabalhadores que saem da contagem da população ativa.

O número de desempregados subiu em janeiro em 210 mil pessoas, para 2,77 milhões, pelo terceiro mês consecutivo, enquanto as demissões aumentaram em 230 mil pessoas a respeito dos dados de janeiro de 2008.

Com estes dados, o Japão teme voltar ao cenário deflacionário de uma década atrás, quando aumentaram as quebras empresariais e os índices de desemprego alcançaram as cotas mais altas desde o pós-guerra. EFE jmr/an

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