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Os benefícios da fusão entre Itaú e Unibanco começam a aparecer com mais clareza e foram um dos principais responsáveis pelo lucro recorde do maior banco privado brasileiro no 1.º trimestre do ano.

Os benefícios da fusão entre Itaú e Unibanco começam a aparecer com mais clareza e foram um dos principais responsáveis pelo lucro recorde do maior banco privado brasileiro no 1.º trimestre do ano. A instituição ganhou R$ 3,2 bilhões entre janeiro e março, 60% a mais do que no mesmo intervalo do ano passado. É o melhor resultado da história do setor para o período. O diretor de Controladoria do Itaú Unibanco, Rogério Calderon, atribuiu o desempenho ao aumento do crédito, à redução da inadimplência e aos ganhos de sinergia decorrentes da fusão. "(O lucro) é reflexo do que está ocorrendo na economia brasileira, que cresce de forma robusta", afirmou. A carteira de crédito do banco avançou 4,4%, para R$ 284,7 bilhões. A projeção para o ano inteiro é bem mais ambiciosa: expansão entre 18% e 23%. O índice de inadimplência (atrasos há mais de 90 dias) caiu de 5,6% no quarto trimestre do ano passado para 4,9%. Apesar da melhora, o indicador é superior ao do primeiro trimestre de 2009, quando estava em 4,4%. Segundo Calderon, a expectativa do banco é de que esse índice esteja entre 4,5% e 4,6% no fim do ano. Ele observou, no entanto, que os números do primeiro trimestre surpreenderam positivamente. "Esperamos os dados dos próximos trimestres para consolidar essa posição (de um desempenho melhor do que o projetado inicialmente)." Como vem ocorrendo desde que o negócio entre Itaú e Unibanco foi anunciado, em novembro de 2008, Calderon não deu projeções para os chamados ganhos de sinergia (economia que as empresas obtêm após um processo de fusão ou aquisição). "É difícil precisar um número", disse. Ainda assim, ele observou que esse foi um dos fatores que explicaram o lucro no trimestre. Reação do mercado. Daniel Malheiros, analista de investimentos da Corretora Spinelli, afirmou que dois dados revelam os ganhos de sinergia no primeiro trimestre: as quedas de 11% nas despesas com pessoal e de 5,8% nas despesas administrativas. "O número de funcionários não se alterou, o que comprova que a melhora do resultado se explica pela recolocação interna dos profissionais", disse. "Isso foi bem visto pelo mercado." A analista Mariana Taddeo, da Link Investimentos, destacou o índice de rentabilidade (relação entre lucro líquido e patrimônio líquido) superior ao dos principais concorrentes. Levando em conta o resultado publicado (R$ 3,2 bilhões), esse indicador ficou em 25%. Considerando apenas o lucro recorrente (que exclui fatores extraordinários, tanto em despesas quanto em receitas), ficou um pouco menor: 24,4%. Mariana qualificou o resultado do banco de "positivo" e afirmou que os números ficaram acima do que havia projetado. Em relatório, a analista Laura Schuch, da Ativa Corretora, também considerou o balanço positivo. As ações preferenciais do Itaú Unibanco caíram 3,31% na Bolsa de Valores de São Paulo, em um dia no qual o principal termômetro do mercado acionário (Ibovespa) perdeu 3,35%. Os papéis do Bradesco caíram 2,21% e os do Santander, 1,29%. Briga pela liderança. Os ativos totais do Itaú Unibanco cresceram 1,6% em relação ao primeiro trimestre de 2009, para R$ 634,7 bilhões. Com o avanço modesto, a diferença da instituição para o arquirrival Bradesco caiu para pouco mais de R$ 100 bilhões. Há um ano atrás, essa diferença era de R$ 142 bilhões. O Bradesco encerrou o primeiro trimestre com ativos totais de R$ 532,6 bilhões.

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