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O fundo de private equity Advent pode obter, em menos de seis meses, retorno de mais de três vezes o capital investido com a oferta pública inicial (IPO, em inglês) da Cetip. A abertura de capital da empresa, que concentra o registro e as negociações com títulos e derivativos não negociados em bolsa - o mercado de balcão -, pode chegar a R$ 1,152 bilhão.

A Cetip anunciou ontem a faixa indicativa de preço na oferta, que varia de R$ 13 a R$ 17 por ação. A operação será secundária, ou seja, os recursos captados vão para o bolso dos sócios que venderem suas ações. Se a oferta sair pelo teto da faixa, a Cetip chega à bolsa com valor de mercado de R$ 3,8 bilhões.

O Advent comprou 30% da Cetip em maio, por R$ 360 milhões, o equivalente a R$ 5,25 por ação. Caso a oferta saia pelo teto da faixa, a empresa será avaliada por um valor 224% acima do de seis meses atrás. O fundo e os demais sócios - entre eles o Itaú e Bradesco - devem vender no IPO até metade da participação que têm na empresa. A oferta prevê a distribuição de 58.954.818 ações, sem considerar a possibilidade do lote suplementar, que pode elevar a quantidade de papéis em 15%. Apenas o Advent pode embolsar o valor bruto de R$ 606 milhões na operação.

Apesar de a diferença de preço chamar a atenção, fontes de mercado ouvidas pela Agência Estado ponderam que esse fator isolado não é suficiente para determinar que o valor indicado para ação da Cetip esteja alto. "A faixa de preço da oferta leva em consideração a perspectiva de crescimento da empresa nos próximos anos, o que, em uma primeira análise, não me parece absurdo", avalia um gestor de fundos.

Ele lembra que o Advent começou a negociar a compra da participação na Cetip no fim de 2008, no auge da crise. "Certamente o fundo tinha um horizonte de investimento mais longo, mas, como o mundo melhorou mais rápido do que o esperado, acabou vislumbrando uma oportunidade de vender parte das ações agora."

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