Tamanho do texto

O coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Nonnenberg, afirmou hoje que a inflação claramente não é a preocupação principal neste momento de grave crise internacional. Ele lembrou que não há indícios de que o IPCA ficará acima do teto da meta, que é 6,5%, embora tenha ressaltado que a inflação está estabilizada em um nível pouco acima de 6%, o que é uma situação diferente dos Estados Unidos, que tenta evitar uma deflação, e da Europa, em que a inflação está em queda.

"É sempre bom lembrar que o Brasil tem situação diferente dos EUA e Europa", afirmou.

Na avaliação de Nonnenberg, vários fatores tendem a puxar a inflação brasileira para baixo, como a desaceleração esperada na demanda e a queda nos preços de produtos importados. Ele destacou especialmente os combustíveis, que "devem cair muito fortemente no ano que vem", em função da redução significativa nos preços internacionais do petróleo. "A queda do petróleo ainda não chegou, mas vai chegar ao Brasil", afirmou o economista.

As declarações de Nonnenberg foram feitas na entrevista coletiva em que apresentou a Carta de Conjuntura do Ipea. Segundo ele, a inflação em 2008 teve dois momentos. O primeiro foi de elevação motivada pela alta nos preços dos alimentos e a segunda fase, mais recente, é determinada por uma desaceleração dos alimentos e maior contribuição dos demais preços. O documento do Ipea destaca, por sua vez, que nos últimos dois meses os bens de consumo têm alta mais forte de preços, "potencializado pelo desempenho desfavorável do câmbio".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.