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RIO - O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, acredita que o Banco Central (BC) poderia ter ao menos indicado viés de baixa na decisão de ontem, quando a taxa de juros básica da economia (Selic) foi mantida em 13,75% ao ano, sem viés. No nosso modo de ver, de ações voltadas para evitar uma maior desaceleração da atividade econômica, seria interessante que tivesse uma queda da taxa de juros ou mesmo a sua estabilidade com viés de baixa.

E isso não ocorreu", disse Pochmann, que participa da 4ª Jornada de Estudos de Regulação, na sede carioca do Ipea.

De acordo com o economista, mesmo com a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom), a economia brasileira tem chances de crescer até 4% em 2009, a despeito da crise internacional. Para Pochmann, como o crescimento para este ano não deverá ser significativamente afetado pela crise, já que a economia brasileira entrará com um bom "carry over" (carregamento) para 2009.

Pochmann explica que o crescimento deste ano "já está praticamente contratado" com base em decisões de investimento na produção tomadas no fim de 2007 e no começo deste ano. Para o presidente do Ipea, como a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano deve variar em torno de 5%, o simples efeito estatístico deste avanço pode garantir entre 2,8% e 3% de expansão no ano que vem caso não aconteça uma grande recessão por conta da crise financeira internacional.

"Se não tivermos recessão ou estagnação, cresceremos acima disso. Não é irreal imaginar uma expansão em torno de 4%, que, no entanto, vai depender do impacto da crise financeira na economia real", frisou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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