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No acumulado em 12 meses, indicador está em 7,12% mas apresentou a primeira queda após 13 meses seguidos de elevação

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), a chamada prévia da inflação oficial, teve alta de 0,42% no mês de outubro e desacelerou em relação ao mês anterior , quando a variação havia sido de 0,53%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse desempenho confirma a projeção feita pelo Banco Central de que a inflação começaria a dar sinais de recuo no quarto trimestre.

No acumulado em 12 meses, a inflação até outubro está em 7,12% mas apresentou o primeiro recuo após 13 meses consecutivos de elevação, apesar de ainda seguir distante do teto da meta de 6,5% estipulada pelo Banco Central.

Apesar do recuo, essa é a maior variação acumulada para o período desde 2003, quando o índice estava em 14,84% em 12 meses, até outubro daquele ano.

Na medição anterior, o indicador registrou alta de 7,33% no acumulado em um ano até setembro.

Até outurbo, o IPCA-15 acumula alta de 5,48% no ano, ficando ainda acima do centro da meta de inflação que é de 4,5% para 2011.

Nas duas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto e nesta quarta-feira , o BC reduziu a taxa de juros Selic, projetando um cenário mais benéfico para a inflação nos próximos meses.

No mês passado, o presidente do BC, Alexandre Tombini, voltou a reiterar que a inflação voltará ao centro da meta no fim de 2012, considerando principalmente o cenário macroeconômico externo de desaceleração.

Comportamento da inflação

Variação mensal do IPCA-15 e acumulado em 12 meses

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Fonte: IBGE

Alimentos sobem menos

Segundo o IBGE, o IPCA-15 mostrou desaceleração em outubro na comparação com setembro por causa, principalmente, dos grupos alimentação e bebidas, que passou de 0,72% em setembro para 0,52% em outubro, e vestuário, que reucou após alta de 1% para 0,38%.

Os alimentos, apesar de continuarem em alta, reduziram o ritmo de crescimento de preços, como por exemplo o leite pasteurizado que foi de 2,64% em setembro para 1,43% em outubro, o frango que apresentou variação de 2,51% em setembro para 0,86% em outubro, das frutas, de 3,70% para 0,84%, e carnes, de 1,79% para 0,55%. Outros produtos como hortaliças, tomate e alho também tiveram quedas acentuadas no mês, de acordo com o IBGE.

Com relação a alta do preço dos alimentos, o presidente do BC havia afirmado em setembro que este movimento estava relacionado principalmente a fatores de sazonalidade e não deveria se propagar tanto no tempo dado o contexto de desaceleração econômica.

Vesturário

Os dados do IBGE apontam ainda que os produtos não alimentícios passaram de 0,47% em setembro para 0,39% em outubro. Nos artigos de vestuário, as roupas masculinas chegaram a apresentar queda de 0,13%, enquanto a variação de setembro havia sido de 0,73%.

Os salários dos empregados domésticos, que passaram de uma variação de 0,99% em setembro para 0,10% em outubro, também contribuíram para conter o índice do mês, assim como o resultado do grupo despesas pessoais, de 0,52% para 0,22%. Além do recuo nesses segmentos, os eletrodomésticos, que variaram -0,03% para -1,09% no período, entre outros itens, fizeram o grupo artigos para residência intensificar o ritmo de queda, que foi de -0,05% em setembro para -0,57% em outubro.

Para viagens aéreas em outubro, os voos disponíveis subiram menos, passando, em média, dos 23,40% de setembro para 14,23% este mês. Mesmo assim, o item passagens aéreas ficou, como em setembro, na liderança dos principais impactos no IPCA-15.

Ainda no grupo transportes, os destaques foram o etanol, de 1,95% em setembro para 1,17% em outubro, e a gasolina, de 0,65% para 0,11%.

Dessa forma, apenas os grupos habitação, de 0,49% para 0,85%, influênciado pela elevação das taxa de água e esgoto, e saúde e cuidados pessoais, de 0,40% para 0,47%, registraram em outubro resultados acima do verificado no mês anterior.

Prévia da inflação oficial do País

O IPCA-15 é chamado de prévia da inflação oficial, porque usa a mesma metodologia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com diferença no período de coleta dos dados.

O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.

Para o cálculo do IPCA-15 os preços foram coletados de 14 de setembro a 13 de outubro e comparados com os vigentes de 13 de agosto a 13 de setembro de 2011.