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Economista diz que alta foi promovida por itens que se repetirão no fechamento do mês, o que reduz chance de desaceleração

Os números de inflação, divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), surpreenderam o economista Luiz Otávio Leal, do Banco ABC Brasil, que esperava um aumento menos intenso em janeiro. "Foi um resultado ruim. E a alta foi promovida por itens que se repetirão no fechamento do mês, o que reduz a chance de desaceleração", afirma.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), uma prévia do indicador oficial de inflação, acelerou de 0,56% em dezembro para 0,65% em janeiro. O avanço foi puxado pelo grupo transportes, que saiu de deflação de 0,08% para alta de 0,79% no período. "O que dá uma certa rigidez para o IPCA de janeiro é passagem aérea.

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A variação desse item vai se repetir no fechamento do mês", diz Leal, referindo-se à metodologia do indicador. As passagens aéreas subiram 10,5% neste mês, após contabilizarem deflação de 2,06% em dezembro. Nos últimos 12 meses, o reajuste foi de 59,4%. Outro item que também "engessa" o IPCA de janeiro, destaca o economista do ABC Brasil, é aluguel residencial, que teve alta de 1,33% neste mês, após subir 0,71% em dezembro.

"De forma geral, os serviços estão muito pressionados", afirma. Pelos seus cálculos, a inflação de serviços em janeiro chegou a 0,71%, o maior percentual desde março de 2011. A alimentação fora de casa foi o item que mais pesou no IPCA-15 desse mês, ao subir 1,63%, após elevação de 1,13% em dezembro. Diversos outros itens, no entanto, registraram aumento acima do IPCA-15 de janeiro, como barbeiro (1%), danceterias e discotecas (1,12%) e empregado doméstico (0,76%).

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Leal ainda acrescenta que a inflação está se disseminando pela economia. O índice de difusão, que pelas suas contas era de 63,8% em dezembro, aumentou para 69% neste mês. Desde junho de 2008, de acordo com o economista, o indicador não chegava neste patamar.

"Apesar do desempenho negativo neste mês, minha percepção para a inflação neste ano melhorou por conta de alimentos e etanol", comenta Leal. Para ele, a alta no grupo alimentação e bebidas, que foi de 1,25% no IPCA-15, deve ser reduzida para cerca de 1% no final do mês. "Mas o mais surpreendente foi a desaceleração no etanol em plena safra.

Isso mostra que o combustível não deve pressionar a inflação neste ano", afirma. O etanol subiu 0,17% neste mês, após elevação de 1,45% em dezembro. Para o IPCA de janeiro, o ABC Brasil projeta alta entre 0,55% e 0,60%. Leia mais: Passagem aérea força aumento além do esperado no IPCA, diz Concórdia.

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