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Projeção foi divulgada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em abertura de seminário do FMI no Rio

Mantega explica que governo não taxa investimento direto
Agência Brasil
Mantega explica que governo não taxa investimento direto
O investimento estrangeiro direto no Brasil crescerá 35% neste ano, segundo projeção que o ministro da Fazenda, Guido Mantega , acaba de divulgar na abertura de um seminário promovido pelo Fundo Monetário Internacional   (FMI) em parceria com o Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro. O montante de capital voltado para investimentos passará de US$ 48 bilhões, registrado no ano passado, para US$ 65 bilhões em 2011, mesmo com todas as medidas de controle de capitais que o governo brasileiro tem adotado.

Isso acontece, segundo o ministro, porque o País está sabendo mirar no alvo certo, que é o capital especulativo. “Essas medidas que estamos tomando acabam contendo mais o capital de curto prazo, o hot money, ou o capital que podemos chamar de especulativo. As medidas não espantam os investimentos”.

O governo aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e pode usar alíquotas ainda maiores para barrar a crescente entrada de dinheiro estrangeiro. Além disso, as medidas macroprudenciais que restringem o crédito também possuem esse efeito de barreira ao capital especulativo.

Após a crise financeira mundial, em 2008, economias mais afetadas como Estados Unidos e Europa tiveram de reduzir suas taxas de juros para aquecer seus mercados consumidores, direcionando o fluxo de dinheiro para nações emergentes como o Brasil.

Mantega fez questão de frisar diante da plateia de autoridades, especialistas e investidores que o Brasil não está taxando investimento direto. “Estamos conseguindo fazer uma seleção, contendo os capitais de curto prazo e estimulando os investimentos”.

Dólar a R$ 1,30

Desde meados de 2009, segundo Mantega, o País começou a tomar medidas para amenizar os efeitos de tamanha entrada de capital. Além das barreiras como o IOF, o governo passou a intervir diretamente no câmbio, comprando moeda para evitar sobreoferta no mercado. Segundo o ministro, se todas essas medidas não tivessem sido adotadas, o  dólar hoje estaria muito mais barato, bem abaixo da casa atual de R$ 1,60.

“Se tivéssemos deixado o dólar ao sabor do mercado, teríamos um câmbio hoje de R$ 1,30, R$ 1,40. Então achamos que essas medidas são eficazes e que o real teria se valorizado muito mais sem elas”, acrescentou Mantega, durante palestra de abertura da conferência "Administrando os fluxos de capitais em mercados emergentes".

O real valorizado afeta a indústria nacional porque impõe uma competição mais acirrada com produtos importados e ainda a faz perder competitividade nas exportações, já que a moeda forte faz encarecer seus produtos. 

Câmbio flutuante para todos

Mantega defendeu a adoção de câmbio flutuante, modelo vigente no Brasil, por parte de todos os outros países. Algumas nações, como a China, controlam artificialmente o valor de suas moedas para manter competitividade de seus produtos, o que provoca desequilíbrio n o mercado internacional de câmbio. 

Além disso, o ministro da Fazenda recomenda a realização de uma reforma do sistema financeiro internacional, já que, foi justamente a falta dela que levou à crise financeira de 2008. Entre as regras, sugere o ministro, a redução de alavancagem.