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SÃO PAULO - Os contratos de juros futuros têm um pregão instável nesta sexta-feira. Para o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, com dados de inflação abaixo do esperado e novos sinais de queda na atividade, a única explicação para a alta em alguns vencimentos é uma realização de lucros depois de um agressivo movimento de baixa.

Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 apontava avanço de 0,04 ponto percentual, para 12,34%. O vencimento para janeiro 2011 tinha valorização de 0,06 ponto, a 12,66%. Janeiro 2012 apontava 12,95%, alta de 0,03 ponto.

Na ponta curta, o DI para janeiro de 2009 registrava leve acréscimo, de 0,01 ponto, para 13,52%. Contrastando, o vencimento julho de 2009 perdia 0,01 ponto, projetando 12,84%.

Ainda de acordo com o especialista, os dados divulgados hoje reforçam ainda mais a visão de juros menores já em janeiro de 2009.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,29% em dezembro, ficando bem abaixo das estimativas, que apontavam inflação em 0,5%.

Além da retração do número cheio, Goulart destaca que os núcleos de preços, incluindo serviços, melhoraram na comparação mensal, assim como o índice de difusão, que mede quantos itens da cesta apresentam alta.

" São notícias bem interessantes para a inflação que acabam chegando também nas expectativas. Isso aumenta o conforto do Banco Central (BC) para promover um ciclo de corte de juros " , resume.

Para o especialista, conforme mais dados forem saindo, cresce a possibilidade de o BC ser mais agressivo no ajuste da Selic ou fazer um ciclo de baixa prolongado.

Goulart acredita que o colegiado deve promover uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa Selic na reunião de 21 de janeiro. Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano.

Pelo lado da atividade, os investidores assimilaram o relatório de emprego, também do IBGE. Segundo o instituto, o nível de desemprego nacional subiu de 7,5% em outubro para 7,6% em novembro.

(Eduardo Campos | Valor Online)

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