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As fabricantes têm melhorado o rendimento dos motores para obter mais potência, em vez de simplesmente aumentar suas cilindradas. Entre os exemplos nacionais há os 1.

0 e 1.4 flexíveis da Chevrolet. Este último rende até 105 cv, força superior à de alguns 1.6.

Já o 1.0 que equipa o Corsa produz até 79 cv - é o mais potente do Brasil nessa cilindrada. Quando surgiram no mercado nacional, nos anos 90, os motores de 1 litro tinham cerca de 45 cv.

Os números remetem a um fator pelo qual se avalia a eficiência do propulsor: sua potência específica, resultado da divisão da potência total pela cilindrada em litros. Quanto maior, melhor é o aproveitamento energético. A vantagem é ter a mesma potência de um motor maior com menor consumo de combustível.

Segundo Vicente Lourenço, diretor de Engenharia da Powertrain (divisão de motores da GM) para a região da América Latina, África e Oriente Médio, motores menores permitem maior potência específica que os grandes por terem menos perdas por atrito. "Além do volume menor, as peças são mais leves, o que ajuda."

O motor Hemi V8 5.7 do Chrysler 300 C, por exemplo, tem 340 cv e potência específica de 59,6 cv/l. Fica aquém dos 1.0 vendidos no Brasil. Já a Ferrari F430 Scuderia, cujo V8 4.3 (510 cv) tem 118,6 cv/l, é o carro de motor aspirado com a melhor relação oferecido no País.

Conforme Lourenço, além de comparar esse dado entre os motores de mesma cilindrada, deve-se verificar a faixa em que ocorre o torque máximo. "Entre dois propulsores de força igual, o melhor é o que a entrega em rotação mais baixa." Menos torque em baixo regime implica em piores retomadas na mesma marcha.

De acordo com o jornalista e técnico automobilístico Bob Sharp, para melhorar o rendimento em baixo giro as fábricas usam recursos como comando de válvulas e coletor de admissão variáveis. "Ajuda no compromisso entre alto rendimento e força em todas as faixas de rotação." O Honda Civic Si, por exemplo, cujo motor 2.0 de 192 cv tem 96 cv/l, usa o sistema i-VTEC para entregar 90% de seu torque (19,6 mkgf) já a 2.700 rpm.

Outra forma de melhorar o rendimento do motor sem aumentar a cilindrada é a sobrealimentação. Com turbo, o 1.4 que em breve estará no Fiat Punto nacional rende 155 cv (110,7 cv/l). O utilitário-esportivo VW Tiguan, que será vendido no País, tem também um 1.4 turbo de150 cv (107,1 cv/l).

Exemplos de alta potência específica são carros de competição. O Brabham BT52, com o qual Nelson Piquet foi campeão da Fórmula 1 em 1983, tinha motor quatro-cilindros 1.5 de 608 cv (405 cv/l). Isso para corrida. Nos treinos a pressão do turbo era elevada e o motor superava 1.200 cv, com a incrível relação de 800 cv/l. "Nesses extremos a durabilidade do propulsor é pífia, medida em minutos", diz Lourenço.

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