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Segunda maior máquina da América Latina será usada pelo parque tecnológico e terá caverna digital, com 3D de alta resolução

Pesquisadores da Coppe junto ao supercomputador do Nacad
Selmy Yassuda
Pesquisadores da Coppe junto ao supercomputador do Nacad
O segundo maior computador da América Latina pode ser desligado e até consertado por um celular, à distância. A máquina que roda os mais avançados softwares de petróleo e vai servir para o desenvolvimento de pesquisas do Parque Tecnológico da UFRJ na Ilha do Petróleo , no Fundão, é mantida apenas seis engenheiros – mestres e doutores altamente especializados do Nacad (Núcleo Avançado de Computadores de Alto Desempenho) da Coppe , mas só seis.

É de uma sala de dimensões reduzidas, cerca de 10 metros quadrados que eles controlam o “monstro” na sala vizinha. “Qualquer celular hoje tem capacidade maior do que os computadores com que o homem foi à lua pela primeira vez, com 8kb”, brinca o doutor em engenharia Albino Aveleda, do Nacad.

Aberto ao uso por pesquisadores da UFRJ , o supercomputador recebe cerca de mil tarefas por mês – a maioria da Petrobras e do Cenpes (Centro de Pesquisa) –, mas a previsão é que esse número aumente muito com a instalação completa do Parque Tecnológico. “As empresas pagam pelo uso, fazemos contrato de prestação de serviços de simulação computacional. O supercomputador faz parte do pacote de tecnologia do parque. Não tem sentido cada empresa ter o seu se pode usar o nosso”, explica Álvaro Coutinho, coordenador do Nacad.

O valor do uso do computador não é fácil de ser medido, diz Coutinho. “O cálculo do valor de uma hora de CPU é medido por valor agregado. A lata é fácil de se comprar, mas a ciência e a engenharia que se produz é que mede a importância. O retorno é enorme”, disse Coutinho.

A máquina, que parece um enorme armário digital em uma sala gelada, para não superaquecê-la, e barulhenta, por causa dos ventiladores internos. Tem 6464 núcleos e só fica atrás na América Latina do supercomputador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), 34º no ranking mundial das megamáquinas. Diferente dessa, que só tem aplicação para previsões meteorológicas, a da Coppe pode rodar softwares os mais diversos, desde que projetados ou reescritos para ela.

Para Álvaro Coutinho, supercomputador vale pela engenharia e ciência obtidas com ele
Selmy Yassuda
Para Álvaro Coutinho, supercomputador vale pela engenharia e ciência obtidas com ele
Apareceu em novembro de 2009 como o 76º do mundo, mas hoje já caiu para a 176ª posição na lista – a atual número 1, japonesa, é quase oito vezes mais veloz que a chinesa que antes ocupava a posição, e cem vezes mais rápida que a do Coppe. Cada lâmina tem capacidade equivalente à de dois computadores convencionais. A rede especial de fibra ótica, de 200 Giga, é 200 vezes mais rápida que a normal, para permitir que o supercomputador funcione. As máquinas são montadas em formato de cubo, para ter maior integração.

Computador ‘especializado’ em petróleo

O supercomputador foi adquirido pelo Fundo de Participação Especial da ANP e tem o petróleo como especialidade. Foi em uma máquina como a brasileira que foram feitas simulações para conter o megavazamento de petróleo no Golfo do México, em abril de 2010.

Por motivo extremo de segurança de informação e apesar de o Nacad seguir os protocolos mais estritos de segurança, a Petrobras já pediu para a máquina ser tirada da internet para operar com dados confidenciais sobre reservas de petróleo. O supercomputador atua sob regime de sigilo. “Nem chegávamos perto”, contou Aveleda.

Caverna Digital: ‘filme de 3D’ no fundo do mar ou na Amazônia

Prédio de linhas modernas que abriga o supercomputador da Coppe, disponível na ilha
Selmy Yassuda
Prédio de linhas modernas que abriga o supercomputador da Coppe, disponível na ilha
Uma aplicação no futuro próximo do supercomputador será a criação de realidade virtual na “Caverna Digital” do Laboratório Cognitivo da Coppe. A caverna ficará em uma grande sala com pé-direito de cerca de 20 metros em um prédio moderno, já parcialmente ocupado pela equipe do supercomputador.

O laboratório cognitivo: sala de testes de processamento de realidade virtual. O pesquisador vai poder, por exemplo, simular estar a 3.000 metros de profundidade, no fundo do mar, próximo a um local de extração de petróleo. Com mil cores, será mais preciso que estar em um cinema 3D.

Os dados serão calculados pelo supercomputador, na sala ao lado.

“São 5.000 teras. Tem de ficar perto fisicamente do sistema de armazenamento”, disse Coutinho.