Na busca pela próxima aposta bilionária da rede, fundo de investimento aposta em profissionais que criam experiências agradáveis
Facebook, Google, Apple: todas as empresas iniciadas por hackers de um jeito ou de outro cresceram rápido e mudaram o mundo. É um modelo que ainda motiva cientistas da computação e engenheiros que apostam em suas próprias startups, as empresas iniciantes, de tecnologia. Mas a próxima companhia a fazer parte dessa lista de sucessos pode ser fundada por um designer, não um hacker, se os investidores de um novo fundo do Vale do Silício estiverem certos. O fundo Designer focará em empresas de webdesigners e designers de produto e não apenas em engenheiros, na esperança de criar mais startups de tecnologia voltadas a experiências atraentes para o usuário.
"No mundo das startups, os designers muitas vezes são trazidos depois que os engenheiros construíram tudo", diz Enrique Allen, coordenador do novo fundo. Eles podem até ter tarefas específicas, como fazer o design do logotipo mas, uma empresa fundada ou, pelo menos, cofundada por um designer sempre tem mais do que apenas um visual agradável de se olhar. "Um designer-fundador pode trazer ideias voltadas ao usuário, de interfaces e experiências à arquitetura de informação ligada à marca. Achamos que o mundo seria um lugar melhor se mais produtos feitos por designer-fundadores crescessem rapidamente." Ele aponta para o Flickr, Tumblr e YouTube como exemplos de empresas de sucesso criada por designers.
Allen afirma que os consumidores de hoje estão mais sofisticados, o que significa que os serviços da internet e móvel precisam se concentrar em "criar mecanismos emocionais que façam as pessoas voltar (ao invés) de apenas construir apelos técnicos." Que é evidenciado, ele diz, por características que as maiores empresas do Vale do Silício enfatizam em seus projetos. "O Facebook, o Square e o Twitter explicitamente usam a retórica do design como uma estratégia para diferenciar-se e reter talentos", diz ele.
Designers de primeira linha estão sendo convidados a investir seu próprio dinheiro no novo fundo como investidores anjo. Allen espera arrecadar milhões de dólares, estar pronto para captar recursos no próximo mês e financiar dois ou três startups. Ele fará mais do que distribuir dinheiro: a equipe de 500 startups que já gere e os investidores do fundo vão oferecer orientação às empresas que receberão o financiamento e aos designers que ainda não formaram uma empresa. "Esta carreira não existia para eles antes", diz.
Danny Wen, um webdesigner e cofundador da startup Harvest, de Nova York, que oferece um serviço de controle e emissão de notas fiscais online para pequenas empresas, acredita que trazer designers para o mundo das startups deve resultar em melhores produtos, porque a experiência do usuário será testada antes de ser lançada. Antes de começar a trabalhar nos aplicativos móveis da Harvest, a empresa passou semanas apenas esboçando idéias, ele observa.
No entanto, Wen diz que, mesmo quando os designers assumirem, ainda será necessário engenheiros. "É insensato pensar que uma área funciona sem a outra", diz ele. "Um designer-fundador que tem visão de negócios e uma compreensão de engenharia estará em vantagem." É exatamente isso que Allen espera que seu apoio e a orientação dos investidores ajudarão a criar, embora seu time dos sonhos de uma startup tenha mais recursos do que apenas designers. "A trifeta ideal", diz ele, "é um líder técnico, um designer e um tipo de voltado a negócios".
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