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SÃO PAULO - A inflação surpreende mais uma vez para cima e estimula outro dia de acúmulo de prêmios de risco no mercado de juros futuros. Na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2010 registrava alta de 0,02 ponto, a 11,19%. Já o contrato para janeiro 2011 tinha valorização de 0,07 ponto, a 11,59%.

E janeiro 2012 apontava 11,98%, aumento de 0,05 ponto.

Já na ponta curta, o DI para março de 2009 perdia 0,02 ponto, a 12,64%. Abril de 2009 registrava estabilidade a 12,30%. E julho de 2009 subia 0,01 ponto, a 11,65% ao ano.

Depois do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro e das expectativas do Focus, os preços no atacado subiram mais do que o esperado.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) avançou 0,42% na primeira prévia do mês, o que contrasta com uma deflação de 0,31% em igual período de janeiro. A alta reflete, em grande parte, o aumento nos preços agrícolas. As expectativas oscilavam entre 0,17% e 0,39%.

O analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart, comenta que os dados de inflação mais pressionados causam certo desconforto, pois podem atrapalhar a formação das expectativas de preços e influenciar o Banco Central (BC) na suas decisões.

Por outro lado, explica Goulart, os dados de curto prazo são pressionados por reajustes sazonais como alimento e educação. No médio e longo prazo, porém, a visão para a trajetória da inflação ainda é benigna, com IPCA abaixo de 5% do fechamento do ano.

Para o especialista, se os indicadores de preço continuarem pressionados, passa a ganhar força a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzirá o ritmo de ajuste na Selic para 0,75 ponto percentual.

No entanto, Goulart ressalta que ainda é cedo para fechar um consenso sobre a decisão de 11 de março. Até lá, uma nova rodada de dados de atividade deve ser apresentada e esse números são mais determinantes do que a inflação. " Ainda dá esperar Selic perto de 10% no encerramento do ano. "
(Eduardo Campos | Valor Online)

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