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Índice de preços subiu 5,5% em maio e motivou Banco Central a elevar a taxa de depósito compulsório dos bancos pela 6ª vez no ano

A inflação na China voltou a subir em maio, levando o país a elevar o depósito compulsório dos bancos nesta terça-feira. O índice de preços ao consumidor atingiu o maior patamar em 34 meses, com alta de 5,5% em relação a igual período de 2010, após subir 5,3% em abril.

Horas após a divulgação dos dados, enquanto muitos mercados asiáticos ainda estavam operando, o banco central chinês elevou o depósito compulsório dos bancos em 0,5 ponto percentual, para o recorde de 21,5%. Foi a sexta alta do ano e pegou os investidores de surpresa.

Nos últimos meses, o BC vinha anunciando as medidas de aperto monetário com os mercados asiáticos fechados ou durante feriados ou fins de semana prolongados.

"A alta visa sobretudo controlar a inflação", disse Du Zhengzheng, analista do Bohai Securities. "O movimento deve adiar algum aumento de juro para o fim do mês ou para o começo do próximo mês."

Uma série de dados sobre a economia chinesa divulgados nesta terça-feira mostram que a segunda maior economia do mundo está desacelerando, mas não muito rapidamente, deixando espaço, segundo analistas, para o país focar o combate à inflação.

"Vemos mais aperto à frente. Esperamos que eles elevem a taxa de juros novamente antes de mantê-la durante o terceiro trimestre", afirmou Allan Von Mehren, analista-chefe do Danske Bank.

Além dos aumentos de compulsório, o país já elevou o juro quatro vezes desde outubro.

Os dados desta terça-feira mostraram que os preços no atacado chinês subiram 6,8 por cento em maio sobre igual mês do ano passado, acima da previsão de analistas consultados pela Reuters, de 6,5%.

A formação bruta de capital fixo chinesa --uma medida dos investimentos-- saltou 25,8% entre janeiro e maio na comparação com o ano anterior, ante estimativa de analistas de 25,2%.

A produção industrial cresceu 13,3% em maio contra maio de 2010, ante previsão do mercado de 13,2%.

As vendas no varejo chinês avançaram 16,9% ano a ano, ante estimativa do mercado de 17%.

Inflação

Os alimentos foram os principais vilões da alta da inflação em maio, com avanço anualizado de 11,7%. A agricultura tem sofrido devido à grave seca no delta do Yang Tsé (a pior em 50 anos).

Por outro lado, os outros produtos da cesta do IPC subiram apenas 2,9%, com moderadas altas em categorias como álcool e tabaco (2,6%), vestuário (1,8%), eletrodomésticos (2,5) e despesas médicos e de saúde (3,2%).

Também foi significativa a alta de preços no setor imobiliário (compra e aluguel), que alcançou 6,1% no quinto mês do ano, em um dos setores onde o Governo chinês aplica medidas de contenção para evitar a explosão de uma bolha especulativa.

O BNE também detalhou que a alta de preços foi maior nas áreas rurais (6%) que nas urbanas (5,3%). As autoridades econômicas chinesas reconheceram que a contenção dos preços é uma prioridade este ano, já que o Governo chinês teme que fortes altas nos preços possam gerar instabilidade social.

( com Reuters e EFE )