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A indústria praticamente zerou os efeitos da crise e cresceu acima do esperado em março. A produção aumentou 2,8% ante fevereiro e subiu 19,7% na comparação com março do ano passado, no melhor resultado desde abril de 1991.

A indústria praticamente zerou os efeitos da crise e cresceu acima do esperado em março. A produção aumentou 2,8% ante fevereiro e subiu 19,7% na comparação com março do ano passado, no melhor resultado desde abril de 1991. Com a aceleração do processo de recuperação no início deste ano, o setor fechou o primeiro trimestre com expansão acumulada de 18,1%, o melhor resultado trimestral em 20 anos. A indústria operava, em março, em patamar apenas 0,1% abaixo do nível recorde de setembro de 2008, antes do início dos efeitos da crise sobre o setor, segundo observou o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo. "A indústria praticamente eliminou os efeitos da crise observados nos últimos três meses de 2008", disse. Em fevereiro de 2010, o setor ainda operava em patamar 2,8% inferior ao recorde de setembro de 2008. Segundo Macedo, os dados de março mostram "um perfil generalizado de crescimento e recuperação da atividade industrial". Prova disso é que 77% dos produtos pesquisados pelo instituto registraram aumento da produção no mês, no melhor resultado desde o início da série histórica desse indicador, em janeiro de 2003. Nível histórico. Entre as categorias de uso pesquisadas, apenas os bens de consumo semi e não duráveis (alimentos, vestuário, calçados) já operam em patamar acima (3,0% maior) de setembro de 2008, no maior nível histórico de produção. Macedo lembra que essa categoria vem sendo impulsionada pelos bons resultados do emprego e da renda. A categoria de bens intermediários (aço, insumos para construção civil) já empatou (0,0) com o patamar daquele período, enquanto bens de consumo duráveis (automóveis, eletrodomésticos, com -0,6%) e bens de capital (-7,4%) não conseguiram ainda se recuperar integralmente. A alta apurada na produção da indústria em março ante o mês anterior veio acima do esperado por analistas econômicos que, segundo levantamento da Agência Estado, projetavam, em média, um crescimento de 1,85%. Segundo Macedo, a forte expansão ante março de 2009 reflete a baixa base de comparação, "o maior ritmo da produção em 2010" e o fato de que março deste ano teve um dia útil a mais do que o mesmo mês do ano passado. Perspectivas. Apesar de comemorarem o forte crescimento industrial no primeiro trimestre e projetarem um resultado positivo no ano, economistas acreditam em declínio no ritmo da expansão. O economista da LCA Consultores Douglas Uemura acredita que a produção vá se acomodar, ainda em patamar elevado mas com ritmo de crescimento menor. Já o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) Rogério Souza considera os dados do primeiro trimestre "excelentes", mas também projeta uma desaceleração. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>

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