Tamanho do texto

SÃO PAULO - O Operador Nacional do Sistema (ONS) apresentou na sexta-feira passada uma previsão de que o consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste deve cair 3,5% em janeiro desse ano, comparado ao mesmo período do ano passado. Para a região Sul, a queda é de 2,5%.

O enfraquecimento, que segundo o ONS está diretamente ligado à crise econômica, também vai afetar as companhias de distribuição e geração, segundo analistas de mercado.

O efeito mais imediato virá em função da queda forte do consumo por parte de consumidores livres, que são formados por grandes indústrias e respondem por parte das receitas tanto de geradoras quanto de distribuidoras. Para as geradoras, o impacto pode ser maior, a depender da flexibilidade dos contratos.

Normalmente, a venda de energia para os consumidores livres prevê um ajuste para baixo ou para cima de até 20%. No caso da Tractebel e da Cemig, segundo a analista Júlia Costa, da Ágora Corretora, a flexibilidade não ultrapassa os 10%. Mas isso significa receita menor para as geradoras, já que essa energia não paga pelos consumidores livres precisa ser liquidada no mercado à vista, que está com os preços em baixa.

Para as distribuidoras, a receita dos consumidores livres vem do uso do sistema de distribuição. A Energisa, por exemplo, que atua principalmente no Nordeste do país, já sentiu uma queda de 20% do uso do sistema pelos consumidores livres. O vice-presidente financeiro da empresa, Maurício Botelho, explica entretanto que esse será um impacto pequeno na receita da empresa, já que o mercado cativo no Nordeste continua com um forte consumo. Na própria previsão do ONS, existe uma expectativa de até um crescimento de 0,44% na carga do Nordeste do país. Para o Norte, a previsão é de que cresça em até 3,5%.

Para empresas como Cemig, Eletropaulo, CPFL, Copel e Celesc, que atuam no Sul e no Sudeste, o próprio consumo do mercado cativo tende a cair. O analista Marcos Severine, do Unibanco, diz que apesar disso, a receita das distribuidoras não deverá ser muito afetada no curto prazo. Isso porque as distribuidoras estão expostas no mercado à vista em função da revisão das quotas de Itaipu e também da frustração da entrega de energia de usinas térmicas a gás e do Proinfa. Com a redução do consumo, as empresas apenas deixarão de ficar expostas, mas a energia que tem contratada deve ficar na faixa de até 103% exigida pela Aneel.

(Josette Goulart | Valor Econômico)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.