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A indústria química vem apostando em uma verdadeira corrida tecnológica para criar matérias-primas verdes - com baixo impacto ambiental. O objetivo é reverter sua fama de grande poluidora e aproveitar a demanda por produtos mais sustentáveis.

Polímeros biodegradáveis, solventes derivados da cana-de-açúcar e plásticos de engenharia que substituem metais fazem parte do novo leque das empresas.

Na francesa Rhodia, cerca de 30% do faturamento, que foi de 4,8 bilhões em 2007, já vem de produtos com foco em sustentabilidade, patamar que deverá ser mantido em 2008. Em 2006, essas tecnologias representaram cerca de 20% das vendas da empresa. "Esse foco nos ajudou a sair da crise de liquidez pela qual passamos em 2003", afirmou o vice-presidente de desenvolvimento sustentável da companhia , Jacques Kheliff, em visita ao Brasil na semana passada.

Entre as inovações estão sílicas usadas nos chamados pneus "verdes", que contribuem para economia de até 10% de combustível em veículos, com redução na emissão de carbono na atmosfera. Outra frente bastante desenvolvida, segundo Kheliff, são os solventes, usados em tintas e vernizes, derivados de etanol, produzidos no Brasil desde a década de 40 e que vêm ganhando espaço. "Hoje, a fábrica da Rhodia em Paulínia produz 150 mil toneladas do produto e já é a quinta maior do mundo em produção", diz o executivo.

Nos próximos anos, a empresa vai se concentrar ainda mais no desenvolvimento de plásticos de engenharia, que substituem metais na indústria de autopeças e de eletroeletrônicos, entre outras. Mais leves, os plásticos permitem uma redução no consumo de combustíveis, quando usado em veículos, e de energia nos eletrônicos.

A alemã Basf segue o mesmo caminho. Todos os produtos e tecnologias lançados nos últimos cinco anos, cerca de 30% do leque de produtos da companhia, passaram pela análise de ecoeficiência, ferramenta que mapeia os impactos de uma tecnologia desde o processo fabril até o descarte. "No mínimo, 25% das tecnologias mais recentes possuem esse viés de sustentabilidade, e isso está crescendo", diz o presidente da Basf para América do Sul, Rolf-Dieter Acker.

A mais recente aposta da empresa, o plástico biodegradável Ecobras - desenvolvido no Brasil e lançado no fim de 2007 - ainda está em fase de inserção no mercado.

"Por ser uma tecnologia mais cara, leva tempo para garantir seu espaço", diz Acker. Feito de 51% de amido de milho e 49% de resina, o plástico se decompõe em 180 dias e pode ser usado para fazer sacolas, embalagens de alimentos, cosméticos e como suporte de mudas para reflorestamento.

Apesar da corrida rumo a tecnologias mais limpas, a etapa atual é mais de adequação dos processos produtivos do que de inovações de ruptura. "Sustentabilidade na indústria química ainda é uma tendência incipiente, mas será obrigatória em dez anos", diz Marcelo Kós, diretor de assuntos industriais da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).

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