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A indústria de transformação enfrenta hoje o maior aperto de crédito dos últimos cinco anos em razão da crise internacional, aponta a Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A restrição provocou uma queda abrupta na confiança dos empresários neste mês.

Em outubro, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) atingiu 106,1 pontos, o menor nível desde janeiro de 2007 (104,6 pontos).

Neste mês, 33% das 1.101 indústrias consultadas informaram que o grau de exigências dos bancos para aprovar crédito é alto. Em contrapartida, apenas 3% relataram que o grau de exigências é baixo. O saldo entre as empresas que consideram as exigências altas e as que acham que elas são baixas é de 30 pontos porcentuais, o maior resultado já registrado pela pesquisa desde julho de 2003.

Surpreso com o resultado, Aloisio Campelo, coordenador da pesquisa da FGV, destaca as diferenças entre os dois momentos de aperto do crédito. Cinco anos atrás, o crédito estava restrito em razão das elevadas taxas de juros. Hoje, o aperto do crédito reflete falta de liquidez no mercado.

O economista ressalta ainda o forte recuo de julho (27%) para outubro (3%) no índice de empresas que consideram baixas as exigências de crédito. "O resultado deste mês para esse indicador é o menor da série histórica iniciada em 2002." Os segmentos da indústria mais afetados pela falta de crédito hoje são os de materiais de transporte, metalurgia, indústria mecânica e de materiais plásticos.

"Há sinais de desaceleração, mas não de recessão", afirma Campelo com base nos indicadores que compõem o ICI. Ele ressalta que a queda de 11,7% do ICI de setembro para outubro, foi a maior retração registrada em apenas um único mês no índice desde setembro de 2005.

Tanto o índice de situação atual da indústria como o índice de expectativas que compõem o ICI despencaram em outubro. A maior retração foi registrada no índice de expectativas, que recuou 14,5% na comparação com setembro. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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