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Em 2009, PIB do setor industrial apresentou retração de 5,5% e, no ano passado, resultado do setor registrou crescimento de 10,1%

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O crescimento da economia brasileira no ano passado, de 7,5%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi um ponto fora da curva - jargão usado na economia para explicar um resultado atípico. É o que afirma no relatório "Conjuntura Econômica", divulgado neste fim de semana pela consultoria MB Associados e assinado pelo economista Sérgio Vale. Ele acredita que a indústria deverá puxar para baixo o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo dos próximos trimestres. A MB, de acordo com Vale, trabalha com uma projeção de crescimento do PIB de 4,5% neste ano.

O crescimento do PIB em 2010, segundo Vale, veio sobre uma base de comparação muito baixa - a deflação da economia de 0,2% em 2009. Neste ano, a produção, em especial a da indústria, deverá ser fraca ao longo dos próximos trimestres em comparação com o forte desempenho de 2010. Em 2009, o PIB da indústria caiu 5,5% e, no ano passado, teve alta de 10,1%.

Mas, do lado da demanda e da inflação, o economista tem uma série de preocupações, mesmo considerando a possibilidade de uma expansão econômica bem menor para este ano.

De acordo com a consultoria, uma expansão de 4,5% do PIB propiciaria um crescimento de 6,7% na demanda doméstica, número muito próximo do que se registrou em 2008, quando a economia se encontrava ainda bastante aquecida. Para a MB Associados, até agora as indicações tanto da política monetária quanto da fiscal não são, de fato, de desaceleração. "Não parece claro ainda que o governo acredita nos riscos inflacionários de 2011 e 2012. Mais do que isso, parece haver uma crença de que a desaceleração já começou ", teme Vale.

Na avaliação de Vale, o PIB deverá crescer menos por causa do fraco desempenho previsto para a indústria, mas a inflação deverá continuar flertando com o teto da meta. Para 2011, a MB Associados espera que o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) feche em 6%. Ou seja, o País entrará em um período que reforçará a ocorrência de uma oferta menor do que a demanda. E isso, em parte, já foi visto em 2010. O PIB cresceu 7,5%, puxado pelo consumo das famílias (7%), do lado demanda, mas com um PIB Agropecuário, do lado da oferta, crescendo menos (6,5%) e também o de serviços (5,4%).

Para 2011, as expectativas dos analistas do mercado financeiro consultados pela Pesquisa Focus (levantamento das previsões dos economistas pelo Banco Central) são de um crescimento da indústria de 4,5% para um demanda de 6,7%, a mesma prevista pela MB Associados.