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Indústria de SP recua e Fiesp alerta contra câmbio

Por José de Castro

SÃO PAULO, 28 de outubro (Reuters) - A atividade industrial paulista recuou em setembro, mas não há motivos para preocupação já que o cenário positivo para este ano está praticamente consolidado, avaliou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta quinta-feira.

Ao divulgar o Índice de Nível de Atividade (INA) do mês passado, a Fiesp ponderou, contudo, que a recente valorização do real e a falta de clareza das autoridades com a chamada "guerra cambial" podem impor algum risco à indústria brasileira mais à frente.

O INA caiu 0,1 por cento em setembro ante agosto, segundo dados com ajuste sazonal, puxado principalmente pelo fraco desempenho do setor de Metalurgia básica. Sem ajuste, a queda foi de 0,4 por cento. Em relação a setembro de 2009, o indicador teve alta de 7,3 por cento.

A Fiesp revisou o dado do INA de agosto, para alta de 1,1 por cento sobre julho, ante leitura preliminar de crescimento de 0,4 por cento. No acumulado do ano até setembro, o crescimento do setor é de 12 por cento.

"Agosto cresceu mais, o que deu para setembro uma tarefa mais complicada. Essa queda de 0,1 (por cento) na verdade é um número que tem que ser tomado como estabilidade", disse Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp.

"De agosto para setembro geralmente ocorre uma queda. É algo mais ligado a questões sazonais", completou. "A baixa poderia ter sido até maior."

O nível de utilização da capacidade instalada na indústria ficou em 81,9 por cento em setembro com ajuste sazonal, ante 82,5 por cento em agosto e 81,3 por cento em igual mês do ano passado.

SETORES E GUERRA CAMBIAL

Entre os setores pesquisados, o destaque de baixa ficou com Metalurgia básica, registrando queda de 4,1 por cento sobre agosto, com ajuste sazonal. Vale citar o recuo de 2,9 por cento no componente Total de Vendas Reais desse setor, também dessazonalizado.

"Claramente se percebe a trajetória descendente da Metalurgia, cuja explicação está justamente em cima do crescimento da importação", avaliou Francini.

O diretor atribuiu esse salto nas importações a uma "constelação" de motivos formada por taxa de câmbio sobrevalorizada, forte demanda interna e recuperação dos mercados externos.

"É evidente que isso é uma grande preocupação... A trajetória é claramente de desindustrialização. Você tem uma perda de importância relativa da indústria no conjunto da economia... É realmente um risco", exclamou.

Recentemente, o dólar atingiu a mínima em mais de dois anos ante o real, em meio ao contínuo ingressos de recursos ao país.

SENSOR

Outra pesquisa da Fiesp, o Sensor, que visa medir o humor do empresário no mês corrente e antecipar a tendência da atividade, mostrou redução no otimismo.

O indicador caiu para 52,6 em outubro, frente a 53,7 no mês anterior. Apesar da queda, o dado segue acima da linha de 50 que divide o otimismo do pessimismo.

O recuo foi puxado especialmente pela variável mercado, que caiu a 52,1 ante 55,9 em setembro. O componente estoque também piorou, indo a 45,1 contra 46,6 no mês passado. Quanto menor o número, maior é o acúmulo de produtos.

"Você tem algum estoque acumulado pela importação. De repente, as empresas de frustram com a ocupação no mercado de produtos importados que elas não imaginavam", disse Francini.

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