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A produção da indústria cresceu abaixo do esperado em fevereiro e renovou recordes negativos, com queda forte nos investimentos. A derrocada do setor iniciada em outubro prosseguiu no primeiro bimestre deste ano.

Apesar do aumento de 1,8% em fevereiro ante janeiro, houve queda de 17% na comparação com fevereiro de 2008 e um recuo total de 17,2% nos dois primeiros meses de 2009.

O ritmo pachorrento de evolução mensal da atividade impõe resultado negativo para o acumulado em 12 meses: -1%, o pior saldo apurado pelo IBGE desde setembro de 2002. O coordenador de indústria do instituto, Silvio Sales, avalia que a reação mensal da produção "é um sinal positivo sem dúvida, mas insuficiente para anular as quedas anteriores".

Na comparação com fevereiro do ano passado, houve ampliação do recuo. Dos 755 produtos industriais que são acompanhados na pesquisa do IBGE, 77% apresentaram redução no nível de fabricação, como mostrou o índice de difusão da produção, que alcançou o seu maior patamar desde 2003.

Desde outubro do ano passado, quando começaram a aparecer os efeitos da crise internacional na indústria brasileira, o setor acumula uma queda na produção de 16,9%. Em fevereiro, os analistas de mercado esperavam, em média, expansão de 2,9% ante janeiro, segundo levantamento realizado pelo AE Projeções com 24 instituições financeiras.

O crescimento abaixo do esperado no mês ainda estaria dentro do cenário de recuperação gradual da economia, como avaliou ontem uma fonte da equipe econômica.

Nos bastidores, o Banco Central esperava resultado pouco acima do apurado, em torno 2%, mas não chegava ao patamar previsto pelo mercado.

Sales listou uma sucessão de destaques negativos nos resultados na comparação com fevereiro do ano passado. O principal deles foi a queda de 24,4% na produção de bens de capital; mas também foi registrada queda em bens intermediários (-21,0%), bens de consumo duráveis (-24,3%) e bens de consumo semi e não duráveis (-3,3%).

MAIOR RECUO
A produção de bens intermediários que inclui segmentos como siderurgia, celulose, mineração, alimentos e autopeças teve em fevereiro o maior recuo anual para essa categoria, desde o início da série da produção industrial mensal, em 1991. "Essa categoria atende à demanda da indústria e reflete uma redução muito forte nas encomendas intraindustriais", observou Sales. Ele citou também o desempenho ruim das exportações como motivo da queda.

Segundo Sales, além dos efeitos da crise, os resultados da indústria ante igual mês do ano passado refletiram também uma base de comparação elevada e o fato de fevereiro de 2009 ter apresentado um dia útil a menos do que em 2008.

O forte recuo industrial ante fevereiro do ano passado acabou ofuscando a reação, ainda que tímida, nos resultados mensais, puxados por veículos automotores (automóveis, caminhões, autopeças). A analista da Tendências Consultoria Ariadne Vitoriano ressaltou que a maior parte das atividades registrou aumento da produção ante janeiro, mas "o resultado da pesquisa ainda é bastante negativo, já que mostra o nível de produção da indústria num patamar bem inferior aos apresentados no ano passado". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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