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Por Rodrigo Viga Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - A indústria brasileira teve em fevereiro desempenho inferior ao esperado e os dados de janeiro foram revistos para baixo, evidenciando os efeitos da crise global no país, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quarta-feira.

Apesar dos dados ainda fracos, o IBGE avaliou que o setor está começando a se recuperar.

Em fevereiro, a produção industrial cresceu 1,8 por cento ante janeiro e despencou 17 por cento em relação ao mesmo mês do ano passado. Analistas ouvidos pela Reuters esperavam, respectivamente, alta de 2,7 por cento e queda anual de 15,7 por cento.

Os números de janeiro, que já haviam desapontado o mercado, foram revistos para baixo. Na comparacão com o mês anterior, a alta foi cortada de 2,3 por cento na divulgação preliminar para 2,1 por cento. O dado ano a ano passou de queda de 17,2 para recuo recorde de 17,4 por cento.

Com isso, a produção acumulou retração de 17,2 por cento no primeiro bimestre.

Mas Silvio Sales, economista do IBGE, ponderou que já há sinais positivos apesar de a indústria não ter conseguido voltar aos patamares pré-crise.

"Pode-se dizer que a indústria está saindo do fundo gradativamente, se considerar que o mês de dezembro foi o pior das estatísticas", afirmou.

Entre setembro e dezembro do ano passado, com o agravamento da turbulência internacional, a indústria acumulou perdas de 20,1 por cento.

Em 12 meses, a indústria acumula queda de 1 por cento, a primeira taxa negativa nesse tipo de comparação desde setembro de 2002.

"O mais importante é a gente acompanhar os próximos dados. A partir de março, a produção talvez possa mostrar uma recuperação mais forte", disse Marcela Prada, economista da Tendências Consultoria Integrada.

Em relatório, a LCA Consultores destacou ser "provável que parte da alta que não 'apareceu' nos números do primeiro bimestre possa surgir no número de março".

SETORES

Em relação a janeiro, dos 27 setores industriais pesquisados 16 tiveram aumento da produção, com destaque para Veículos automotores (+8,7 por cento), que vem sendo ajudado pela redução do IPI.

"Esse setor acumulou alta de 52,2 por cento nos dois primeiros meses de 2009, após as paralisações nos meses de novembro e dezembro", afirmou o IBGE.

Entre as categorias de uso, na comparação com janeiro a atividade de bens de consumo duráveis foi o destaque de alta (+10,5 por cento). A produção de bens de consumo semi e não duráveis interrompeu quatro meses de queda e subiu 1,7 por cento, e a de bens intermediários avançou 1,5 por cento.

Já a atividade de bens de capital caiu 6,3 por cento.

Na comparação com fevereiro de 2008, 23 setores tiveram retração e todas as categorias de uso foram negativas.

Os destaques foram as quedas de Veículos automotores (-29,8 por cento); Máquinas e equipamentos (-32,2 por cento) e Metalurgia básica (-31,5 por cento).

A atividade de bens de capital caiu 24,4 por cento, acelerando a queda em relação aos dois meses anteriores. A produção de bens de consumo duráveis reduziu-se em 24,3 por cento; a de bens intermediários teve contração de 21 por cento, marcando o quinto mês negativo seguido; e a de bens de consumo semi e não duráveis declinou 3,3 por cento.

"O índice de difusão, com queda em 77 por cento dos 755 produtos investigados, também indica um menor dinamismo no setor industrial, ao registrar o menor nível da série histórica", acrescentou o IBGE.

(Reportagem adicional de Vanessa Stelzer; Texto de Daniela Machado)

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