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Em protesto contra o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, realizado em Brasília na última terça-feira, lideranças indígenas do Parque Nacional do Xingu paralisaram o serviço de travessia da balsa no Rio Xingu. Os prejuízos, na opinião do cacique kaiapó, Megaron Txcurramãe, só poderão ser contabilizados a partir de amanhã, quando aumenta o fluxo de veículos que transportam soja e bois.

Em protesto contra o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, realizado em Brasília na última terça-feira, lideranças indígenas do Parque Nacional do Xingu paralisaram o serviço de travessia da balsa no Rio Xingu. Os prejuízos, na opinião do cacique kaiapó, Megaron Txcurramãe, só poderão ser contabilizados a partir de amanhã, quando aumenta o fluxo de veículos que transportam soja e bois. A travessia liga São José do Xingu a outros municípios de Mato Grosso e também do Pará.

A balsa tem capacidade para 300 toneladas (o equivalente a quatro carretas) e serve motoristas da BR-080 na travessia do Xingu, utilizada principalmente para o escoamento da produção e transporte de gado para frigoríficos. O cacique kaiapó Megaron Txcurramãe disse que muitos teriam desistido de usar o serviço porque desde ontem foram informados que a balsa não ia funcionar.

Hoje, as lideranças encaminharam ao comando da Polícia Militar de São José do Xingu um comunicado sobre a paralisação do serviço. "A gente quer fazer um movimento pacífico e por isso pedimos ajuda para que a polícia não deixe os carros descerem para usar a balsa."

No comunicado, eles informaram que iriam fechar a travessia do Rio Xingu na Aldeia Piaraçu por tempo indeterminado. Também comunicam que o motivo do protesto é devido o "leilão realizado de Belo Monte (hidrelétrica do Rio Xingu) a qual não aceitamos esta atitude do governo de manter a construção".

A paralisação do serviço foi uma decisão da lideranças do Parque Nacional do Xingu que acompanharam leilão e ficaram revoltados com o resultado. Eles se dizem indignados com a atitude do presidente Lula e do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcio Meira. As lideranças realizam o protesto com o corpo todo pintado de preto. "A gente pensou que a Justiça iria conseguir barrar a venda, mas não. E a nossa maneira de protestar é fazer ações que tragam prejuízos para branco", disse Megaron. A partir de amanhã são esperados mais 50 guerreiros índios. Também deve chegar os caciques Raoni e Metuktire.

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