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Estima-se que até 40% dos apartamentos de condomínios lançados em SP sejam vendidos para pessoas que querem revender ou alugar

João Paulo Diniz Coelho, funcionário do governo federal, comprou três apartamentos e duas vagas de garagem no dia do lançamento do edifício Essencial by Victoria, no Guará II, bairro de uma cidade-satélite do Distrito Federal. Dois deles ele quer revender quando o imóvel ficar pronto e o terceiro ele vai alugar, para receber uma renda mensal dessa outra parte do investimento. Em todas as unidades, ele aplicou 70% do patrimônio financeiro.

João Paulo Diniz Coelho, que comprou três apartamentos em Brasília, planeja revender dois quando pegar as chaves
Fellipe Bryan Sampaio
João Paulo Diniz Coelho, que comprou três apartamentos em Brasília, planeja revender dois quando pegar as chaves
“Meu outro imóvel aqui no Guará, onde moro, subiu de R$ 55 mil para R$ 180 mil em pouco tempo”, diz ele, que tem 38 anos. Diniz deu uma entrada de R$ 61 mil para adquirir os imóveis e vai arcar com uma prestação mensal de cerca de 35% de sua renda. Nos apartamentos que adquiriu, de um quarto e 43 metros quadrados, por R$ 260 mil cada, imagina que cobrará algo como R$ 1 mil pelo aluguel.

Mas, mais do que a renda pelo aluguel, Diniz está de olho na receita com a venda dos dois apartamentos. Ele espera revendê-los antes da entrega das chaves, para não ter de recolher imposto de renda sobre o investimento como venda de imóvel. “Prefiro investir em imóveis. As aplicações financeiras estão rendendo pouco”, afirma o servidor público.

O número de brasileiros que, assim como Diniz, tentam lucrar com a revenda de imóveis adquiridos na planta, aumentou. Com a volatilidade da bolsa de valores e a redução da taxa básica de juros, aplicações em renda fixa e variável ficaram menos atrativas.

Em São Paulo, o percentual de investidores entre os compradores em lançamentos varia atualmente entre 30% e 40% dos imóveis à venda, segundo Luiz Paulo Pompeia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp). A taxa saudável, segundo ele, é de 10%. “Pode haver um excesso de oferta na hora que esses investidores decidirem vender”, diz Pompeia.

Concorrência entre proprietários

Em um lançamento de 250 unidades, por exemplo, se 40% dos compradores fecharem o negócio para revender após a construção, cem unidades estarão à venda assim que o empreendimento estiver pronto. Esse cenário pode levar a uma concorrência entre os proprietários, que obrigará aqueles com mais pressa a reduzir os preços. “A expectativa de ganhos desses investidores pode não se concretizar”, diz Pompeia.

No entanto, não há problemas quando o investidor visa a comprar imóveis para alugar, segundo os especialistas. “Esse comprador aquece o mercado sem especular”, diz João Crestana, presidente do Secovi-SP.

É o caso do comerciante Cleomar de Almeida Furriel, de 34 anos, casado, que espera a chegada do primeiro filho para breve. Ele comprou no mês passado, também no Guará, em Brasília, seu terceiro apartamento para investir. “O aluguel desses imóveis é meu pé de meia, para a minha aposentadoria.”

Fellipe Bryan Sampaio
"O aluguel desses imóveis é meu pé de meia, para a minha aposentadoria", diz Cleomar de Almeida Furriel, que comprou três apartamentos
Não apenas brasileiros, mas também estrangeiros estão comprando imóveis de alto padrão em regiões nobres de capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. Frederico Judice, sócio da imobiliária Judice&Araujo, especializada em alto luxo na cidade carioca, conta que muitos de seus clientes são norte-americanos ou europeus que acreditam no potencial de valorização do mercado brasileiro.

Entre os motivos, a expectativa de que a infraestrutura da capital carioca evoluirá com investimentos para as Olimpíadas de 2016. “A indústria do petróleo e as expectativas de volume de investimentos que o Rio de Janeiro vai receber por conta dos jogos acabou se refletindo no mercado imobiliário”, diz Judice.

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