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A inflação medida pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), muito usado nos reajustes dos preços de aluguel, caiu para menos 0,44% em janeiro deste ano, após registrar deflação de 0,13% em dezembro do ano passado. É a menor taxa desde setembro de 2005, quando índice ficou negativo em 0,53%.

A taxa mensal ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pela Agência Estado que esperavam uma queda entre -0,77% e -0,40%.

A informação foi divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que anunciou ainda os resultados dos três indicadores que compõem o IGP-M. O Índice de Preços por Atacado-Mercado caiu para menos 0,95%; o Índice de Preços ao Consumidor-Mercado subiu 0,75% e o Índice Nacional dos Custos da Construção teve alta de 0,26%. Apesar da queda em janeiro, em 12 meses, o indicador acumula alta de 8,15%.

"Essa queda está muito ligada ao comportamento dos preços do atacado", comentou o coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros. Ele ressalta que a forte baixa de 1,48% dos itens industriais tem ligação direta com os efeitos de desaceleração na atividade econômica do País trazidos pela crise global.

Mas segundo Quadros, é pouco provável que no mês que vem seja observada uma deflação tão forte. Isso porque o indicador tende a não contar com algumas influências de baixa vistas em janeiro. E em fevereiro pressões de alta já foram observadas poderão se consolidar. No segmento industrial, sondagens recentes vêm mostrando que o efeito da redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis sobre os preços está diminuindo. Em janeiro, os valores dos automóveis caíram 6,98% e lideraram o ranking de queda. "Notamos agora que não estão sendo observadas as mesmas reduções", comentou. Isso deve ser captado nos próximos índices.

E como houve uma série de baixas expressivas nos valores médios de itens industriais em janeiro, há uma tendência natural de acomodação do movimento. "Pode não haver espaço para as fortes quedas de dois dígitos que alguns itens apresentaram", disse.

Quadros lembrou ainda que as pressões climáticas sazonais do início de cada ano tendem a ampliar a interferência sobre os preços do segmento agropecuário. Em janeiro, os preços já mostraram alta de 0,55% ante queda de 0,28% de dezembro. "A soja, com efeito da seca nos Estados do Sul do Brasil e na Argentina, já mostrou alta de 5,16% em janeiro."

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