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Indicador subiu 0,07% no mês passado ante elevação de 0,3% registrada no primeiro mês de 2012

O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) subiu 0,07% em fevereiro, ante elevação de 0,3% em janeiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira. Em 12 meses, o índice acumulou alta de 3,38% -a menor variação desde abril de 2010, quando o acumulado ficou em 2,95%.

"O IGP em 12 meses vem caindo bastante desde dezembro de 2010 e o movimento não foi esgotado ainda", disse o economista da FGV Salomão Quadros. "Não há pressões inflacionárias no horizonte e a taxa de março não vai repetir a do ano passado, disse Quadros, ao lembrar que em março de 2011 o IGP-DI foi de 0,61%.

"A taxa deve março deve ser um equilíbrio entre a de janeiro e a taxa de agora, que foi muito baixa", acrescentou.

Câmbio

O IGP-DI é usado como referência para correções de preços e valores contratuais, sendo o indexador das dívidas dos Estados com a União. O índice também é diretamente empregado no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) e das contas nacionais em geral.

Quadros destacou que a queda do dólar contribuiu para a desaceleração do IGP-DI deste ano. Depois de uma desvalorização de 6,5% em relação ao real no mês de janeiro, a moeda norte-americana se depreciou 1,55% em fevereiro.

"O câmbio sempre contribui com a inflação e a perspectiva é que ele permaneça num patamar baixo, o que está fazendo até o governo reagir", apontou Quadros. "O dólar não deve subir muito, o que é bom para a inflação."

O governo quer evitar uma valorização excessiva do real, que prejudica as exportações brasileiras e intensifica a concorrência dos produtos importados. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira que o mercado cambial está reagindo às medidas já adotadas pelo governo e às que virão.

Alimentação

Entre os subíndices que compõem o IGP-DI, o Índice de Preços ao Consumidor-Disponibilidade Interna (IPC-DI) -que mede a evolução dos preços às famílias com renda entre um e 30 salários mínimos mensais e que corresponde a 30 por cento do IGP-DI- subiu 0,24%, frente à inflação de 0,81% em janeiro. Foi a menor variação do IPC desde julho de 2011.

Em fevereiro, o IPC foi o principal responsável pelo recuo do IGP-DI. Segundo Quadros, a desaceleração do índice foi puxada pelos preços de Alimentação, em um movimento generalizado de baixa. Além disso, o grupo Educação ficou praticamente estável em fevereiro, com alta de apenas 0,03%, ante 4,9% em janeiro, mês de reajuste de mensalidades.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo-Disponibilidade Interna (IPA-DI) -que calcula os preços de bens agropecuários e industriais nas transações comerciais em nível de produtor e responde por 60% do IGP-DI- teve variação negativa de 0,03%, após alta de 0,01% em janeiro.

A queda foi liderada pelas Matérias-Primas Brutas Agropecuárias, que tiveram redução de preços de 0,33% em fevereiro, com destaque para milho e soja -produtos que haviam subido muito no começo do ano.

A soja saiu de uma alta de 3,74% em janeiro para uma queda de 0,09%, ao passo que os preços do milho desaceleraram sua elevação de 8,88% para 1,67%. "Não haverá um novo movimento de alta de agropecuários", disse o economista da FGV. "Imaginava-se que a seca na região Sul e na Argentina ia fazer um estrago enorme, mas (isso) não deve acontecer", acrescentou.

Ainda no atacado, a FGV observou pressões que partiram dos grupos Alimentos Processados e Produtos Químicos. Em Alimentos Processados, a deflação diminuiu de 0,52% em janeiro para 0,15% no mês passado, em razão de quedas menores em produtos como aves, carnes bovinas e óleo de soja.

Os preços dos Produtos Químicos registraram elevação de 1,14%, ante 0,13% no mês anterior, em virtude da alta do petróleo no mercado internacional. "Esses aumentos vão chegar em algum momento ao varejo, mas, como há quedas intensas no varejo, podem se transformar no máximo em pequenas altas", declarou Quadros.

O Índice Nacional de Custo da Construção-Disponibilidade Interna (INCC-DI) -que mede a evolução de custos na construção civil- avançou 0,3% em fevereiro, após alta de 0,89% em janeiro. O índice representa 10% do IGP-DI.

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