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Os dados das vendas do varejo de agosto confirmam que o bom desempenho dos bens de consumo semi e não duráveis, como alimentos e artigos farmacêuticos, estão ajudando o comércio a registrar um desempenho positivo apesar da crise, avaliou hoje o técnico da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Nilo Lopes. Em agosto, as vendas de hiper, supermercados, produtos alimentícios e fumo, de maior peso na pesquisa, aumentaram 8,5% e contribuíram, sozinhas, com quatro pontos porcentuais, ou 86% do crescimento total de 4,7% do varejo no mês.

Já as vendas de artigos farmacêuticos, de menor peso na pesquisa do que os supermercados, registraram o melhor desempenho entre as atividades pesquisadas e aumentaram 14,9% em agosto deste ano ante igual mês do ano passado.

"Os segmentos de supermercados e farmácias vendem artigos básicos, de primeira necessidade, que os consumidores não deixam de comprar mesmo em momentos de crise. Além disso, essas atividades estão diversificando o leque de produtos oferecidos e têm sido beneficiadas pela manutenção do crescimento da renda e do emprego", observou Lopes.

Ele mostrou dados que demonstram que as vendas de supermercados e produtos farmacêuticos aceleraram o crescimento após o início da crise. De acordo com os números do IBGE, as vendas de super, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo tiveram um crescimento acumulado de 33,4% entre 2004 e 2008 - período no qual o varejo em geral cresceu 46% -, com uma média anual de expansão de 5,9%. No acumulado de janeiro a agosto de 2009, esse setor já cresceu 7,4%, ou seja, em ritmo mais acelerado do que nos cinco anos anteriores.

O mesmo ocorreu com o grupo de artigos farmacêuticos e perfumaria, que registrou aumento acumulado de 45,6% entre 2004 e 2008, com média anual de alta de 7,8%, acelerando o crescimento para 12,5% no acumulado dos oito primeiros meses deste ano.

Por outro lado, segundo observou Lopes, alguns segmentos de bens duráveis, mais vinculados ao crédito e à expectativa dos consumidores, mostraram desaceleração no ritmo de expansão neste ano, após o início da crise. Os equipamentos de informática, por exemplo, acumularam uma alta de 280,5% de 2004 a 2008, com uma média anual de expansão de 30,6%. De janeiro a agosto de 2009, esse setor ainda acumula alta nas vendas (13,3%), mas em ritmo menor do que o apresentado anteriormente.

Situação similar ocorre com as vendas de móveis e eletrodomésticos, que cresceram 115% de 2004 a 2008 - média anual de 16,5% - e, mesmo com o incentivo da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de linha branca em boa parte deste ano, acumula uma queda de 1,6% de janeiro a agosto de 2009.

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