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Os números da indústria em 2008 mostraram uma mudança radical de cenário no quarto trimestre, destacou a economista Isabella Nunes, da coordenação de indústria do IBGE. Segundo ela, além da forte deterioração na confiança que abalou o consumo interno, houve também uma redução brusca da demanda internacional por matérias-primas (commodities).

Em apenas três meses, de outubro a dezembro, a indústria brasileira registrou queda de 19,8% da produção, a redução mais forte ocorrida em tão curto espaço de tempo desde o início da pesquisa, em 1991.

A produção de veículos automotores no País, principal impacto positivo para a produção industrial até setembro de 2008, ficou também com o ônus de ter o maior impacto de queda na produção em dezembro, em todas as bases de comparação. Ante novembro, houve queda 39,7% na produção desse setor e, ante dezembro de 2007, queda de 49,5%. Isabella Nunes destacou que esse segmento foi muito afetado pela restrição de crédito que ocorreu no Brasil a partir de outubro.

Outros segmentos que apresentaram recuos importantes em dezembro foram material eletrônico e de comunicações (-48,8% ante novembro e -60,3% ante dezembro de 2007, puxada especialmente por celulares) e máquinas e equipamentos (-19,2% ante novembro e -21,9% ante dezembro de 2007, incluindo eletrodomésticos de linha branca e bens de capital).

Segundo Isabella, todos esses segmentos registraram paralisações e férias coletivas no mês de dezembro. Apesar do recuo mais acentuado, o impacto de material eletrônico na pesquisa é menor do que veículos automotores porque, no caso deste último, o peso é maior na produção total da indústria.

Máquinas e equipamentos

A produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), que sinaliza o desempenho dos investimentos e vinha conseguindo se manter com resultado positivo ante igual período de ano anterior até novembro, mostrou brusca perda de ritmo em dezembro, puxada especialmente pela queda nos investimentos industriais, segundo mostram os resultados divulgados hoje pelo IBGE.

A economista Isabella Nunes, do IBGE, ressaltou que essa categoria interrompeu, em dezembro, uma sequência de 29 taxas positivas na comparação com igual mês de ano anterior. Segundo ela, dezembro mostrou "uma forte deterioração da confiança dos agentes econômicos ante a incerteza em relação ao futuro", que abalou todas as categorias de uso pesquisadas, inclusive bens de capital.

A produção de bens de capital, que mostrava expansão acumulada de 18,8% de janeiro a setembro do ano passado ante igual período do ano anterior, caiu 13,1% em dezembro ante igual mês de 2007 e encerrou o quarto trimestre com expansão de apenas 2,8% ante igual trimestre do ano anterior. As principais quedas nessa categoria em dezembro ocorreram em bens de capital para indústria (-31,5%) e para uso misto (-35%, com forte impacto de computadores e celulares).

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