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A menor oferta de financiamento à produção agrícola por causa da crise internacional, o recuo de preços das commodities e o clima desfavorável poderão levar a safra brasileira ao maior recuo em 13 anos, segundo estimativa do IBGE. O instituto prevê que a safra deste ano deve atingir 137,3 milhões de toneladas, uma queda de 5,9% na comparação com os 145,8 milhões de toneladas da safra anterior.

O maior recuo de safra registrado anteriormente ocorreu em 1996, quando a queda em relação ao ano anterior foi de 7,3%. O IBGE estima também que o principal produto agrícola nacional, a soja, vai registrar este ano a primeira redução de produção em quatro anos.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), também divulgou suas projeções para a safra agrícola, com números diferentes, por problemas de metodologia de cálculo - mas igualmente ruins. A previsão é de uma safra de 137 milhões de toneladas este ano, uma queda de 4,9% em relação às 144,1 milhões de toneladas de 2008. Segundo os técnicos da Conab, o clima adverso é o principal fator da redução da safra. Em contrapartida, a área plantada cresceu 0,2%, saindo de 47,42 milhões de hectares para 47,49 milhões de hectares.

Segundo o técnico da coordenação de agropecuária do IBGE, Paulo Renato Corrêa, a queda de 1,9% prevista na produção da soja em 2009 reflete os altos custos representados pelos reajustes de preços nos insumos agrícolas, a cotação pouco estimulante do produto e o clima seco em algumas importantes regiões produtoras.

Ele lembra que "a queda porcentual é pequena" mas, como a produção de soja é muito elevada (58,8 milhões de toneladas previstas para este ano, cerca de 40% da safra total), o recuo corresponde a 1,1 milhão de toneladas a menos de um ano para o outro. "Provavelmente haverá uma queda de produtividade na soja", disse. "Este ano, os preços dos insumos, especialmente fertilizantes, subiram muito e diminuíram o nível de fertilização das lavouras."

Ele observou que as projeções do IBGE costumam mudar bastante entre os primeiros prognósticos - a projeção divulgada hoje é a terceira para a safra 2009, de um total de 14 a serem apresentados até o final deste ano - e o último, e tudo dependerá do clima de agora em diante. "Tudo indica que as condições climáticas este ano não serão tão boas quanto o ano passado", adiantou.

Apesar dos números apresentados pelo IBGE e pela Conab, a presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil, Katia Abreu, insistiu na projeção de uma queda de 10% na produção de grãos na safra 2009. Segundo ela, o levantamento da Conab considera dados até 15 de dezembro e, desde então, houve uma piora nas condições climáticas para a safra no Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e sul do Mato Grosso do Sul. Ela disse ter tido informações de produtores desses Estados de que as perdas chegam a 50% em alguns casos.

Katia Abreu deu ainda o exemplo do Estado de Mato Grosso, que não teve problemas climáticos, mas reduziu a área plantada por causa dos os custos dos fertilizantes. Em Mato Grosso, de acordo com ela, a colheita da safra já começou e o rendimento obtido até agora é de 52 sacas de soja por hectare, contra uma média de 54 sacas.

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