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Michel Martelly destacou que áreas de infraestrutura e telecomunicações podem ser boas possibilidades para investidores

O presidente haitiano, Michel Martelly, afirmou nesta quinta-feira que o Haiti já não é aquele "que se queixava de suas misérias", e disse que o processo de reconstrução do país, devastado por um terremoto há dois anos, trará grandes e atraentes oportunidades de investimento.

Durante sua estadia na Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial de Davos, Martelly tentará chamar a atenção de executivos de grandes empresas. O evento dedica este ano uma sessão ao Haiti. Em entrevista à Agência Efe, o presidente ressaltou que foi a Davos para explicar que o país "já não é o Haiti do passado, mas um país que se considera rico e que oferece oportunidades".

Martelly reconheceu que a reconstrução avança lentamente, mas destacou que erguer um país "leva tempo" e que o Estado só contou com 1% de toda a ajuda internacional recebida até agora. O restante, garante, foi canalizado por organizações internacionais e não-governamentais.

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Pergunta : As críticas pela lentidão da reconstrução do Haiti são muitas e o Estado é visto em grande parte como responsável. Como o senhor responde a essas críticas? O que fazer para acelerar este processo?

Resposta : Imediatamente após o terremoto não se pôde fazer muito, tentamos salvar vidas e dar comida às pessoas, mas depois começamos a reconstrução do Haiti. Desde que chegamos ao Governo (em maio de 2011) fizemos com que cerca de um milhão de crianças que viviam em acampamentos retornassem à escola e começamos a construção de quatro mil casas nos arredores de Porto Príncipe. Mas o que o terremoto destruiu em 30 segundos não poderá ser reconstruído em um ano, levará mais tempo. Eu sempre digo aos haitianos: se plantarmos uma árvore hoje, em cinco ou sete anos poderemos nos sentar sob sua sombra. Reconstruir um país leva tempo.

P : Até que ponto seu Governo conta com ajuda internacional para reconstruir o país, considerando que alguns dos países que foram doadores do Haiti passam agora por uma crise financeira e econômica?

R : A maior parte da ajuda passa pelas organizações internacionais e pelas ONGs. Ouvimos queixas sobre a suposta lentidão nas ações tomadas, mas quando o Estado recebe apenas um centavo por cada dólar da ajuda que chegou significa que as ONGs se transformam no Estado, porque têm os meios (econômicos) e empregam os especialistas, enquanto as instituições públicas enfraquecem. O Governo quer agora que todos sentem juntos para trabalhar na mesma direção. Terminou a época em que qualquer um podia fazer o que queria ou onde queria, agora haverá planejamento e assim poderemos ver os resultados.

P : Mas é provável que o Haiti receba menos contribuições que o esperado para sua reconstrução.

R : Isto ocorre em boa hora porque não aceitamos mais ajuda ou doações. O que queremos são empregos, e, para isso, devemos atrair o setor privado e permitir que invistam no país.

P : Por que os investidores deveriam se interessar no Haiti?

R : Porque com a quantidade de coisas a fazer no Haiti, há muitas oportunidades. Na infraestrutura, estradas, aeroportos, portos, escolas, hospitais e pelo menos cem mil casas para construir. Na agricultura, temos terras férteis e uma população ativa que quer trabalhar, o problema é organizar tudo isso. Em telecomunicações também há muitas possibilidades. Apenas 25% da população tem acesso à eletricidade, o que é um problema para os haitianos, mas uma oportunidade para os investidores que queiram ganhar dinheiro. O importante agora é dar garantias que o Estado haitiano será um parceiro e que vamos proteger os investimentos que forem feitos.

P : Como seu Governo garantirá a transparência e evitará a corrupção com todo esse fluxo de investimentos privados que espera para seu país?

R : Todos sabem que chegamos para fazer mudanças, que governamos de outra maneira. Vamos colocar todos os meios necessários à disposição para assegurar que tudo será feito dentro da lei. É por isto que viajamos, para garantir a todo o mundo que já não somos o Haiti do passado, que se queixava de suas misérias, mas um país que se considera rico e que oferece oportunidades.