Tamanho do texto

Teresa Bouza. Washington, 16 nov (EFE).- A opinião tem superado a notícia no horário nobre da televisão a cabo nos Estados Unidos, fazendo a CNN, pioneira da fórmula da informação 24 horas por dia, perder terreno.

Mesmo assim, a emissora não volta atrás. Longe de reconsiderar sua estratégia, a "CNN" parece apostar suas fichas no mais puro noticiário factual - o que, por enquanto, implica em ficar atrás na audiência.

Em outubro, os programas de horário nobre da "CNN" ficaram atrás dos de suas concorrentes, a conservadora "Fox News" e a progressista "MSNBC".

Três de seus quatro programas exibidos entre 19h e 23h nos EUA ficaram em último lugar, na primeira vez em que a "CNN" registra índices de audiência tão baixos.

A emissora atraiu apenas 202 mil espectadores em média na faixa de entre 25 e 54 anos, grupo que as redes de televisão americanas usam para medir seu sucesso, já que é o alvo da maior parte da publicidade veiculada.

A "Fox News", pelo contrário, ganhou mais 689 mil espectadores em média no mês passado na faixa etária citada, e a "MSNBC", 221 mil.

Esses resultados mostram, segundo especialistas, a crescente preferência do público pelos espaços de opinião frente aos noticiosos.

"A opinião vende muito bem. É o que o povo quer, querem um ponto de vista já empacotado", disse à Agência Efe Gary Kauf, especialista em programação televisiva da universidade Ohlone, no estado americano da Califórnia.

Neste sentido, Kauf aponta que a "Fox News" soube explorar esse nicho como ninguém.

Isso explicaria, por exemplo, como o combativo programa do apresentador Bill O'Reilly tenha ficado com a liderança da programação noturna da televisão a cabo americano, com uma média de 881 mil espectadores em outubro.

Por outro lado, o programa da apresentadora Campbell Brown na "CNN", anunciado pela emissora como "não partidário", atraiu apenas 162 mil espectadores na mesma faixa de horário.

A tensa relação da Casa Branca com a "Fox News" deu mais fama ao canal e parece ter cativado ainda mais seus fiéis telespectadores, tradicionalmente mais à direita do espectro político americano.

Do outro lado da balança está a "MSNBC", que, após anos de desencontros, encontrou durante a última campanha presidencial americana, em 2008, um nicho entre o setor mais progressista da população.

No meio, está a "CNN", que perde à direita para a "Fox News" e à esquerda para a "MSNBC".

Especialistas em televisão como Aaron Barnhart, do jornal "Kansas City Star", dizem acreditar, de qualquer forma, que esse caminho intermediário é o que corresponde à "CNN".

A abrupta saída do apresentador Lou Dobbs, que durante anos foi claramente contra os imigrantes ilegais e as "fronteiras fora de controle", dá à "CNN" a oportunidade, segundo Barnhart, de se posicionar claramente no centro.

"Eu acho que estão tentando evitar a opinião", diz Barnhart, para quem a saída de Dobbs, uma voz extremista que destoava do tom profissional da "CNN", obedece a tensões entre o alto escalão da emissora e o apresentador.

"Acho que essa estratégia renderá frutos no longo prazo", prevê o especialista do "Kansas City Star".

O presidente da CNN Worldwide, Jim Walton, parece confiar que assim será ao aponta, em resposta aos níveis de audiência de outubro, que as pessoas identificam a "CNN" com "notícia, fatos e rapidez".

"Isso é o que queremos fazer no mundo todo. Concorremos contra muito mais do que 'Fox News' e 'MSNBC'", assegurou Walton em declarações recolhidas pelo site especializado em televisão "TVNewser". EFE tb/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.