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Para novo diretor eleito da FAO, mercados financeiros pressionam valor dos gêneros de primeira necessidade

José Graziano, eleito diretor da FAO
AE
José Graziano, eleito diretor da FAO
O novo diretor-geral eleito da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, afirmou nesta segunda-feira em entrevista coletiva que os preços dos alimentos de primeira necessidade seguirão altos durante vários anos.

"A volatilidade dos preços vai ser mantida, eles continuarão altos durante vários anos porque estão relacionados com os mercados financeiros. Até que a situação financeira mundial não se estabilize, os preços dos bens de primeira necessidade serão um reflexo desta situação", explicou Graziano em Roma, em seu primeiro contato com a imprensa como diretor eleito da FAO.

Graziano explicou que a agência da ONU tentará solucionar este problema de forma prioritária, e declarou que a organização oferecerá ajuda aos países pobres mais afetados pelos preços elevados de alimentos de primeira necessidade.

O novo diretor da FAO, que derrotou neste domingo o ex-ministro espanhol Miguel Ángel Moratinos por 4 votos de diferença, destacou também a importância de fomentar as boas relações entre os países-membros e outras organizações das Nações Unidas, como o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

"Esta organização precisa de relações muito boas para avançar mais rapidamente na luta contra a fome", insistiu Graziano durante seu pronunciamento, no qual reconheceu que domingo ocorreu uma divisão entre os votos dos países do sul, que apostaram nele, e os do norte, que elegeram Moratinos.

"Isso não significa que estejam contra minha candidatura", afirmou o diretor brasileiro, que disse que espera poder "chegar a um acordo em um mínimo de assuntos" para poder lutar "mais rapidamente" contra a fome no mundo. Graziano também falou sobre alguns pontos polêmicos relativos à agricultura, como a biotecnologia e os organismos de modificação genética.

Além disso, também falou sobre os biocombustíveis e, parafraseando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comentou que, como no colesterol, "há biocombustíveis bons e maus". "Os biocombustíveis não são a alternativa que deve ser utilizada em qualquer situação, mas também não se deve demonizá-los, é preciso tratá-los como uma alternativa real para alguns países", acrescentou o novo diretor da FAO.

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