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Decreto publicado nesta quinta-feira pelo governo elevou para 6% o IOF sobre empréstimo externo de até três anos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira que a decisão de expandir o prazo de incidência da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% é uma forma de desestimular a entrada capital de mais curto prazo no País.

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Segundo Mantega, o Brasil tem sido atingido por uma “sobra de crédito”, proveniente principalmente dos Estados Unidos, União Europeia e Japão, que na avaliação do governo têm praticado uma “política monetária expansionista”.

Guido Mantega: guerra cambial prejudica o Brasil, segundo o ministro da Fazenda
Elza Fiúza/ABr
Guido Mantega: guerra cambial prejudica o Brasil, segundo o ministro da Fazenda
“É a chamada guerra cambial que nos prejudica”, assinalou o ministro.

“O governo não vai assistir impassivo à guerra cambial. A defesa que temos feito é comprar as divisas que entram, todo o excesso de dólar que existe hoje, porque há um ingresso de dólar que é trazido aqui.”

Mantega reforçou que o Banco Central tem comprado moeda estrangeira em leilões diários. “Como está havendo tomada de crédito lá fora em grande escala, estamos penalizando quando este crédito é de curto prazo.”

O governo elevou em 6% a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre empréstimo externo de até três anos. A medida, publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial, tem como objetivo conter a entrada de moeda estrangeira no País para segurar a valorização do real.

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Desde janeiro, o preço do dólar recuou 8,19% frente ao real, levando o governo a fazer uma série de operações de compra da moeda americana.

O real valorizado afeta a indústria nacional, porque barateia as importações e torna as exportações brasileiras menos competitivas.

Mantega afirmou, contudo, que o governo não considera que exista um “patamar ideal” para a moeda estrangeira. “É claro que R$ 1,80 é melhor do que R$ 1,50, mas não estamos buscando nem R$ 1,80, nem R$ 1,70. Nós gostamos da modalidade de câmbio flutuante, nós gostamos que o câmbio flutue, inclusive porque gera incerteza.”

“Antigamente não havia esta incerteza”, disse o ministro. “O especulador tinha certeza que o real ia se valorizar, então ele apostava. Ao fazer a aposta ele reforçava a tendência de valorização do real e ganhava. Agora ele não tem esta certeza, então tem gente que ganha, gente que perde. Então, se todo mundo ficar apostado numa direção, acaba perdendo dinheiro.”

Sobre a crise envolvendo o comando do Banco do Brasil e da Previ, o ministro afirmou que a presidenta Dilma Rousseff não pediu que fizesse demissões em suas diretorias. “Essa crise é uma crise de fofocas. As duas instituições estão funcionando muito bem, isso é que é importante para o governo.”

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