Tamanho do texto

Dublin, 30 set (EFE).- O Governo irlandês garantirá durante os próximos dois anos todos os depósitos bancários dos seis grandes bancos nacionais para salvaguardar o sistema financeiro irlandês, anunciou hoje o ministro da Economia do país, Brian Lenihan.

A medida substitui uma outra, tomada há duas semanas, que fixava uma proteção limite de 100 mil euros e que foi anunciada um dia depois de algumas entidades financeiras registrarem perdas sem precedentes no pregão de Dublin.

Lenihan explicou à "RTE" que a intervenção do Estado responde à necessidade de "estabilizar um sistema bancário" incapaz neste momento de ter acesso a receitas nos mercados internacionais.

"Caso os bancos irlandeses não possam garantir seus depósitos, a situação pode ser muito, muito grave para a economia do país. Acho que todo negócio, todo trabalhador sabe que estes depósitos diminuíram durante o último ano. Caso sequem completamente, a Irlanda terá problemas", disse o ministro.

Lenihan afirmou que o Executivo projetou planos de contingência para abordar todas e cada uma das dificuldades que os bancos possam enfrentar, mas não deu detalhes sobre o assunto.

Também negou que a medida esteja somente voltada a "resgatar" os bancos irlandeses e declarou que estes deverão pagar uma parcela em troca do aval governamental.

Neste sentido, o principal partido da oposição, o Fine Gael, afirmou hoje que o ministro deve lançar luz imediatamente sobre o valor da tarifa que será aplicada aos bancos para garantir que a fatura final não afete o contribuinte irlandês.

"A medida parece que terá um efeito positivo, mas temos de ver se também protege os cidadãos e nos assegurarmos de que não se transformará em uma licença para que os bancos continuem com suas pobres práticas crediárias", afirmou o porta-voz do Fine Gael, Richard Bruton.

Um porta-voz governamental confirmou hoje que os seis bancos que se beneficiarão com a garantia Estatal a partir de hoje até o dia 28 de setembro de 2010 são o Allied Irish Bank Ireland, o Bank of Ireland, o Anglo Irish Bank, o Irish Life & Permanent, o Irish Nationwide Building Society e o Educational Building Society.

No entanto, ficarão fora do plano o National Irish Bank, o ACC Bank, o Rabobank e o Ulster Bank, pois são entidades subsidiárias de outros bancos estrangeiros, disse o porta-voz.

"A decisão foi tomada para eliminar qualquer desconfiança de que os clientes possam ter destas seis instituições crediárias. Trata-se de solucionar a grave perturbação que sofreu a economia pelos recentes problemas dos mercados financeiros internacionais", concluiu. EFE ja/fh/fal

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.