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O governo de Dubai não vai garantir a dívida do Dubai World e os credores serão afetados no curto prazo pela reestruturação do conglomerado, disse ontem o diretor-geral do Ministério de Finanças do emirado, Abdulrahman al-Saleh. Segundo ele, a reação do mercado ao anúncio dos problemas do Dubai World, feito semana passada, foi exagerada e não condiz com a realidade.

"O governo é o dono da companhia, mas desde sua fundação foi estabelecido que a companhia não é garantida pelo governo", disse ele à TV estatal de Dubai.

"Os credores precisam assumir parte da responsabilidade pela decisão de emprestar às empresas. Eles acham que o Dubai World é parte do governo, o que não é correto", acrescentou Al-Saleh. Segundo ele, o Dubai World recebeu financiamentos baseados em seu cronograma de projetos, não nas garantias do governo.

Após quatro dias de feriado religioso, essas estão entre as primeiras declarações oficiais sobre os problemas envolvendo uma proposta de moratória da dívida do Dubai World, anunciada pelo governo na quarta-feira, antes do feriado. O governo de Dubai pediu aos credores do conglomerado estatal, que têm presença internacional em operações de portos e no setor imobiliário, a paralisação dos pagamentos de suas dívidas, estimadas em cerca de US$ 60 bilhões.

Ontem o conglomerado Dubai World anunciou uma reestruturação de duas de suas companhias - o gigante imobiliário Nakheel World e a Limitless World, que também atua no ramo imobiliário, mas tem maior presença no exterior. Segundo o informe, a dívida das empresas atingidas pela reestruturação deve chegar a US$ 26 bilhões, e o processo poderá incluir a venda de ativos.

O banco central dos Emirados Árabes Unidos informou na noite de domingo que dará suporte aos credores com potencial de pesadas perdas por exposição ao Dubai World. Segundo Al-Saleh, o BC interveio para garantir a estabilidade dos mercados, que não devem se preocupar com os bancos do país. "Acredito que os bancos não estão em estágio em que precisem de liquidez extraordinária do banco central", afirmou.

Segundo a Moodys, o anúncio de moratória da dívida do conglomerado Dubai World não deve ameaçar a qualidade do crédito de Abu Dabi (outro dos sete emirados) e do governo federal dos Emirados Árabes Unidos. Ambos tem rating Aa2, com perspectiva estável.

A bolsa de Dubai fechou ontem em queda de 7,3%, a maior desde 8 de outubro de 2008. Já o mercado acionário de Abu Dabi despencou 8,3%. Os papéis de bancos e do setor imobiliário foram os mais atingidos. "As incertezas continuam, e tudo o que precisamos é um comunicado ou alguma orientação", disse Chamel Sahmy, operador do Beltone Financial.

As preocupações com a dívida de Dubai continuaram a afligir os mercados globais. Na Europa, as ações fecharam no menor nível em mais de três semanas. Os papéis do segmento de energia tiveram as maiores perdas, mesmo com os preços futuros do petróleo ensaiando recuperação, negociados acima de US$ 76 o barril, após caírem ao mínimo em seis semanas no pregão anterior.

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