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O governo britânico lançou ontem seu segundo pacote multibilionário de ajuda aos bancos em três meses e criou as bases para que o Banco da Inglaterra possa aumentar a oferta de dinheiro, numa tentativa de impulsionar a economia da região. O núcleo do novo pacote é a proteção do Tesouro britânico contra a inadimplência nos empréstimos bancários.

Os bancos e as sociedades de crédito imobiliário terão de pagar uma taxa para participar do programa.

De acordo com o plano, o governo vai aumentar sua participação no Royal Bank of Scotland para 70% depois que a instituição anunciou ontem o maior prejuízo de uma empresa na história britânica. Os bancos poderão fazer seguros contra as perdas em seus ativos com mais risco. O governo vai oferecer garantias para os débitos e lançar um fundo de £ 50 bilhões (cerca de US$ 58,7 bilhões) para comprar ativos de alta qualidade e tentar retomar o fluxo de dinheiro.

"Pretende-se que o esquema alcance os tipos de ativos mais afetados pelas atuais condições econômicas", informou o Tesouro, num comunicado à imprensa. O governo também vai ampliar o prazo para o acesso dos bancos a um sistema de garantia de crédito anunciado em outubro. Esse sistema, que acabaria em 9 de abril, será estendido até o fim do ano.

Com o novo pacote, o governo do primeiro-ministro Gordon Brown admite publicamente que o primeiro conjunto de medidas, lançado em outubro do ano passado e bastante elogiado em outros países, não foi suficiente para afastar as preocupações sobre as instituições financeiras britânicas.

Diante da expectativa com a divulgação de dados esta semana, que devem mostrar que a Grã-Bretanha está em recessão pela primeira vez desde 1992, o ministro de Finanças, Alistair Darling, disse que o plano foi desenhado para impulsionar o fluxo de crédito para empresas e consumidores. "Se não tivermos o fluxo de empréstimos, a recessão será mais longa, mais profunda e mais dolorosa", disse Darling.

Em relatório trimestral divulgado ontem, o grupo de estimativas Ernest & Young Item Club prevê que o Reino Unido sofrerá em 2009 a maior contração econômica anual desde a 2ª Guerra Mundial, e a recessão pode virar depressão caso o governo não adote novas medidas.

Segundo os dados, o grupo projetou queda de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) britânico em 2009, a pior desde 1946. O relatório traça um quadro desolador de desemprego em alta, queda nos preços de moradias e desaceleração acentuada da inflação, o que "levanta o fantasma de uma década de deflação".

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