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Por Kevin Krolicki e Soyoung Kim WASHINGTON/DETROIT (Reuters) - A General Motors fez um alerta no final da terça-feira de que há um risco crescente da empresa fazer um pedido de proteção judicial contra falência até junho. Enquanto isso, executivos da Fiat e da Chrysler se reuniram como parte da corrida para completar uma aliança que, segundo o governo dos Estados Unidos, é necessária para que a montadora norte-americana sobreviva.

Paralelamente, em Detroit, GM e Chrysler começaram a dura reestruturação exigida pelo governo de Barack Obama como condição para receber mais verbas públicas neste momento de crise.

O presidente-executivo da Fiat, Sergio Marchionne, viajou a Detroit para uma reunião com sindicalistas e credores da Chrysler. Obama deu 30 dias para que eles estabeleçam uma parceria que capaz de salvar a montadora norte-americana.

Consultores da GM e da Chrysler já preparam eventuais pedidos de recuperação judicial, o que permitiria às duas tradicionais montadoras dos EUA preservar a parte sadia das suas operações, junto com uma redução de dívidas e de custos com previdência e planos de saúde dos funcionários.

Um plano sob discussão pode permitir que a GM forme uma nova empresa com seus melhores ativos, enquanto as marcas e operações deficitárias ou de fraco desempenho permaneceriam sob recuperação judicial, disse à Reuters uma pessoa familiarizada com o assunto.

As ações da GM perderam quase metade do seu valor desde segunda-feira, quando Obama apresentou medidas que limitam fortemente o uso de verbas públicas para as montadoras, contrariando a expectativa de que pudesse haver um resgate mais amplo.

Uma fonte do governo disse que a Casa Branca quer que em 60 dias a GM chegue a um acordo com portadores de títulos e com o sindicato da categoria.

O novo presidente-executivo da GM, Fritz Henderson, empossado na segunda-feira como parte da reforma administrativa exigida pelo governo, afirmou que a montadora, a maior dos EUA, terá de fechar mais fábricas e demitir mais operários do que planejava há apenas um mês.

"Precisamos ir mais fundo e precisamos ir mais rápido", disse ele em entrevista coletiva na sede da empresa, em Detroit.

O Tesouro dos EUA financiará o processo de recuperação judicial da GM caso ele não resulte em economias suficientes de custos.

"Até não mais do que 1o de junho, se não conseguirmos realizar essa concordata externa, estaremos em concordata. Está bastante claro. O governo foi inequívoco," disse Henderson.

A GM vem tentando renegociar dívidas de 28 bilhões de dólares. Na semana passada, a empresa ofereceu aos credores cerca de 6,5 bilhões de dólares em dinheiro e a emissão de novas dívidas (o que totalizaria 24 por cento do total), junto com uma participação de 90 por cento na nova empresa, de acordo com relato de uma pessoa envolvida no processo.

"Os detentores de títulos têm de entender que eles precisam voltar à mesa. Até agora, evitaram. Não há mais como evitar. Na concordata, eles devem sair com nada", disse o deputado democrata Sander Levin, de Michigan.

Enquanto isso, credores da Fiat têm estado preocupados que a companhia poderá acabar contribuindo com dinheiro ou garantias de dívida na aliança com a Chrysler em um momento em que as finanças do grupo italiano estão pressionadas.

A Chrysler, administrada pelo grupo de investimentos Cerberus Capital Management, tem sobrevivido com o empréstimo emergencial de 4 bilhões de dólares feito pelo governo norte-americano.

A Fiat concordou em facilitar o acesso da Chrysler a sua tecnologia de carros pequenos e plataformas de veículos em troca por uma participação na montadora norte-americana que começaria em 20 por cento.

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