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O presidente do conselho de administração e diretor executivo da Renault e da Nissan, Carlos Ghosn, defendeu ontem a ajuda que os governos deram às empresas automobilísticas durante a crise financeira internacional de 2008 e 2009 como necessária para dar fôlego às indústrias e ao emprego. A defesa da ajuda governamental foi feita por Ghosn durante o debate de abertura do 23.

O presidente do conselho de administração e diretor executivo da Renault e da Nissan, Carlos Ghosn, defendeu ontem a ajuda que os governos deram às empresas automobilísticas durante a crise financeira internacional de 2008 e 2009 como necessária para dar fôlego às indústrias e ao emprego. A defesa da ajuda governamental foi feita por Ghosn durante o debate de abertura do 23.º Fórum da Liberdade, na noite de ontem, em Porto Alegre. "O que aconteceu em 2008 é que a crise bateu na indústria automobilística independentemente da saúde financeira das empresas", avaliou o executivo, explicando que as companhias passaram a necessitar de caixa, um oxigênio que, naquele momento, somente os governos poderiam dar. "Foi importante o governo fazer; a tarefa foi positiva", reiterou. Ghosn lembrou que o governo dos Estados Unidos iniciou a ajuda às empresas depois do francês e do japonês e acabou tendo de fazer uma intervenção mais longa que os demais países. "O item emprego é muito sensível para os governos", observou o executivo. "Eles (os governos) não se sentem responsáveis pela otimização econômica, tarefa do manager, mas, quando esse toma uma decisão, eles querem estar certos de que não interfere no emprego." Segundo Carlos Ghosn, ao ajudar a indústria automobilística, os governos perceberam que podem continuar dando incentivos a alguns setores específicos, como o de carros ecológicos, que reduzem emissão de gases poluentes. Para o executivo da Renault/Nissan, a busca dessa solução ecológica passou a ser uma tendência de indústria automobilística mundial. O 23.º Fórum da Liberdade discute "Seis Temas para Entender o Mundo" a partir dos conceitos liberais da Escola Austríaca de Economia. Os painéis tratarão de Capitalismo, Socialismo, Inflação, Intervencionismo, Investimento Estrangeiros e Políticas e Ideias. Contra. O historiador americano Thomas E. Woods Jr. circula por Porto Alegre como uma das estrelas do 1.º Seminário de Economia Austríaca e do 23.º Fórum da Liberdade. Ligado à Escola Austríaca de Economia, está pregando, nos dois eventos, a redução da intervenção dos governos a quase nada. Assim como em seu livro Meltdown: a Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and Government Bailouts Will Make Things Worse, de 2009, sustenta que a ajuda dos governos, mesmo nas crises, só piora as coisas. Entre os palestrantes de hoje estão o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O Instituto de Estudos Empresariais (IEE), organizador do evento, espera a presença de 5,5 mil participantes.
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